“Este post foi escrito por minha amiga e colega de filosofia Fernanda Novarino, uma das melhores coisa que me aconteceram ao voltar para o banco dos alunos… Valeu amiga!!! Se há alguém que sabe TUDO de Espanha, é esta gentil senhorita. Aproveitem”

Ainda de férias e sem ritmo na escrita, decidi mesmo assim aceitar o desafio proposto pela minha querida amiga Ana Catarina e desenvolver esse artigo.
Quando um turista brasileiro elege a Península como seu destino de férias, na maioria das vezes ele permanece no feijão-com-arroz Madrid-Barcelona. Zaragoza, a cidade da qual fui convidada a falar, seguramente não está nos destinos favoritos entre a galera tupiniquim. E esse é o meu papel: convercer você, meu caro leitor, a fazer um pit-stop na capital aragonesa antes de seguir para os – clássicos – destinos espanhóis.
Como começar a dar dicas sem falar um pouco da história do lugar? Zaragoza no passado, ainda no século I a.C., foi uma importante cidade romana, também conhecida como Caesar Augusta. Banhada pelo rio Ebro, já durante o século VIII esteve sob mãos mulçumanas e é somente a partir de 1118 de nossa era que passou para mãos cristãs, agora sob o comando de Alfonso I que a tomou e converteu em capital do reino de Aragón. Atualmente, Zaragoza é considerada a quinta maior cidade da Espanha em número de habitantes, que são mais de 600.000. Em 2008 serviu de base para a Expo, uma feira que tinha como propósito a “água” no mundo. Estou me prolongando? Pois bem, você pode seguir a pesquisa numa Wikipedia e vamos logo ao que interessa: o que fazer por aqui.
Primeiro quero dizer que é fácil fácil chegar por essas bandas. Como? O trem AVE saindo de magnífica Estación de Atocha de Madrid com destino a Barcelona (e vice-versa, por favor!) passa por Aragón. Zaragoza está justo no meio do caminho. Para maiores informações sobre itinerários, aqui a página da estação de trem da cidade: http://www.estacion-zaragoza.com/
Quanto tempo ficar?
Taí uma boa pergunta e isso vai depender muito de quanto você pode gastar e do seu tempo disponível. Um dia ou dois você pode tranquilamente andar pelo “callejero” e visitar todos os monumentos. Essencialmente, Zaragoza é uma cidade que se conhece a pé. Eu tenho um amigo que sempre diz que o tamanho ideal de uma cidade é quando ela ainda NÃO precisa de um Metrô. Bingo! Zaragoza é o lugar. Você pode ir de uma ponta a outra caminhando (e de férias sempre temos aqueeeeeela disposição extra). Mas claro, se você é um turista que tem pressa, pode pegar facilmente um ônibus turístico que faz o mesmo percurso e com gente capacitada explicando tudo tim-tim-por-tim-tim (e de quebra você ainda melhora o seu castellano!)
O que ver na capital aragonesa.
1) Sem dúvida vamos iniciar o passeio pelo incrível Palacio de la Aljafería , construído na segunda metade do séculov XI, e que está bem no meio da cidade. Se você não possui tempo disponível para fazer um tour pelos magníficos palácios da Espanha do Sul (Córdoba, Servilla e cia.) Seguramente a Alfajería, de estilo mudéjar, dá conta do recado.

2) Seguindo…outro clássico ponto turístico é a sua Plaza Mayor também conhecida como Plaza de las Catedrales, uma das maiores de toda a Espanha e onde podemos encontrar a Basílica do Pilar, famoso destino de peregrinação. Se você é do tipo religioso, não deixe de entrar por ali e pedir uma proteção extra mas, não fazendo seu estilo, mesmo assim vale a visita ao local por algumas pinturas de Goya. Aos mais atentos é possível perceber que os telhados da Basílica possuem um toque bastante tupiniquim. Ao lado do Pilar não deixe de observar (ou entrar!) no belíssimo edifício de estilo regional conhecido como La Lonja. É de graça e sempre tem alguma exposição por ali.
3) Não deixe de visitar La Seo. Também localizada na Plaza Mayor é, sem dúvida, a igreja mais bonita e de maior valor histórico da região. A entrada em determinados lugares de seu interior é paga, mas dependendo do dia, vale verificar os horários das missas e entrar de graça. Por dentro La Seo é austera como qualquer catedral gótica, mas o barato dessa igreja está, a meu ver, ao lado de fora. Um muro que leva a uma torre e que vale por uma faculdade inteira de História! Nesta igreja é possível ver datações de estilo românico, mudejar, gótico ou barroco.

Plaze de las Catedrales, La Lonja e La Seo

detalhe de La Seo
4) Como a gente viu no início, Zaragoza é uma cidade fundada ainda no Império Romano, assim ela ainda mantém edificações, muitas vezes não tão bem conservadas sejamos francos, desta época. Ali perto do Pilar, caminhando (e se perdendo!) pelo Casco Viejo é possível esbarrar no Teatro Romano de Caesaragusta, com um capacidade para 6.000 espectadores. Falando abertamente: existem teatros muito mais bem conservados em outras cidades européias, mas para quem nunca viu algum na vida é bacana se deparar a ele e respirar História. Existe um museu mas é possível vê-lo, ali mesmo desde o Casco, e que já vale o passeio.Outra opção é Museo de las Termas Públicas de Caesaraugusta, este sim muito bem conservado e bastante didático, valendo cada centavo o ingresso. Zaragoza tem disso: como muitas das capitais ou
cidadezinhas européias, um dos melhores programas é sair sem rumo (e sem medo!) num labirinto sem fim. Caminhar pelo Casco Viejo e seus inúmeros edificios de estilo aragonés (fica a dica do Pátio da Infanta), seus bares de copas e, de quebra, topar com lugares bastante pitorescos e charmosos. Destaque para a Calle de Affonso I (que vai dar no Pilar) ou subindo pelo Paseo Sagasta alcançando o agradável Paseo de los Ruiseñores (que nome mais bonito de rua!) rumo ao parque que falaremos em seguida.
5) Zaragoza, como grande parte das cidades desta região, não é uma localidade repleta de verde. Isso inicialmente pode chamar a atenção de um turista vindo do nosso Brasil tão verde-
anil. Mas, afastando-se do centro uns 5 ou 10 minutos está o excelente Parque Primo Rivera, também conhecido como Parque Grande. Ali no verão é possível alugar bicicletas ou fazer os tão comuns piqueniques, o que pra gente seria sinônimo de “farofada”. Mas esqueça essa mentalidade, entre no supermercado mais próximo e se jogue nos vinhos e queijos espanhóis que são incríveis. É claro que você está na Espanha e não deixe de comer o legítimo jamón. Depois é só caminhar até o Jardim Botânico, localizado dentro do Parque Grande, e deixar a tarde cair. Outra opção é caminhar nas margens do Ebro observando o sol se pôr, sobretudo quando se está acompanhado! (No verão é possível alugar bicicletas).
6) Outra coisa que insisto em exaltar é o paladar. Falar sobre viagem sem falar de comida não dá. Viajar também é comer. E se você é como eu, que não poupa esforços na hora em que o estômago manda aquele sinal, vou tentar passar alguma sugestão de bons lugares para comer na cidade. Certamente uma tarefa bastante complicada uma vez que Zaragoza é considerada a cidade espanhola com o maior números de bares e restaurantes, batendo as grandes Madrid e Barcelona. Como qualquer boa cidade, há diversos estabelecimentos para todos os gostos e bolsos. Tem até 2 brasileiros: o Barzinho e Violão e o Quita-penas para o momento que bater a saudade do feijão-com-arroz ou da amada coxinha-de-galinha! Agora, existem os charmosos cafés localizados na não menos charmosa Calle Afonso I e é uma oportunidade única para sentar numa terraza e pedir o divino café bombom, nada mais que café com uma dose bem generosa de leite condensado. Esqueça as dietas porque você está de férias! Depois é só deixar a vida passar e observar o vai e vem de aragoneses. Espanha também é sinônimo de…tapas. Não, não vá sair esbofetando ninguém e sim de bar em bar provando as especilidades de cada um. Eu, particurlamente, posso passar uma noite inteira entrando e saindo dos bares somente tentando descobrir a melhor. O Casco Viejo está cheio deles! Agora, se você procura uma comida regional e esta disposto a deixar algumas notas de euro, existe um lugar imperdível: Rinconada de Lorenzo. Fica na Plaza San Francisco, perto da universidade. Não deixe de provar as surpreendentes migas, uma espécie de farofa de migalhas de pão, preparada com chorizo (atenção que não é o nosso “chouriço” e sim uma espécie de lingüiça) e uvas. Sim, você leu direitinho: uvas. Eu também sugiro as migas com um baita ovo frito por cima e depois é só partir para a não menos justa siesta. Depois se jogo nos guisados e pescados: é o que a região tem de melhor. Meu amigo, sorte sua estar na Espanha! Depois de tanta comilança, regada a muito vinho por favor, é mais que justo você seguir rumo a tua cama e tirar aquela sonequinha da tarde e no melhor estilo sem culpa! (E aqui eu confesso um hábito que preciso inserir nessa cultura: siesta estirada nas nossas tão brasileiras redes. Aguarde porque isso ainda vai dar o que falar!)
7) Viajar também é trazer recordações. E turista que é turista tem que trazer souvenir. Em Zaragoza, uma boa sacada é comprar uma peça das cerâmica de Muel ou Teruel, do interior de Aragón. Faça com eu: almoce num lugar mais “humilde” e , ao invés de comprar as clássicas lembrancinhas, e que no caso de Zaragoza são as miniaturas do Pilar e da Porta del Carmen, invista numa bela peça de cerâmica. Tem para todos os bolsos: um pequeno prato a 10 euros até lindos vasos e jarras, já com preços mais salgados.
Agora, se você é como eu e já está cansando de viajar pelas capitais do Velho Continente, cansado de monumentos, filas de museus, ônibus, metrôs e tal, ah meu caro leitor, você vai precisar de mais de um par de dias por aqui em Aragón. O motivo? Pirineus. Rapazzzzz, se tem um lugar que brasileiro deve conhecer é esse. E estamos em plena temporada de inverno! O bacana de Zaragoza é justamente isso: um excelente ponto de partida para a cordilheira. Mas talvez isso seja motivo para outros posts.
Por Fernanda Novarino, 30 anos, estudante de filosofia e amiga da autora deste blog.
Tem uma relação afetiva com Zaragoza.
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Todas as fotos são particulares ou retiradas da web oficial do Ayuntamiento de Zaragoza: http://www.zaragoza.es/weboficial/