Lições em contradições

Por Declev Dib-Ferreira em 11/04/2009

A harmonia
Desarmônica
Da natureza
Se mostra a mim

Uns competem e
Competem a outros
Não competir

Uns colaboram
Com o fim
Que é o começo
De outro

Outros se prendem
A tantos
Que, enfim,
Se tornam
Soltos

Aquele que vai
Nem sempre é
O que retorna

O que torna a ir
Por vezes
Quer ficar

Alimentar-se
Torna-se
O fim

Reproduzir-se
Torna ao
Começo

A vida é o meio
E o meio
De manter-se vivo

É o fim
E o começo

De um e
De outro

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Sonho

Por Declev Dib-Ferreira em 01/10/2008

Percebi que tudo o que estou vivendo é um sonho.
Resolvi dormir, que é minha forma de acordar.

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Três trovas não novas 5

Por Declev Dib-Ferreira em 03/04/2008

Os meus grandes defeitos
Que antes não os tinha
É não ter defeitos
E esta modéstia minha

———-

Um dia me perguntaram
Qual era o meu defeito
Disse que se enganaram
Porque eu era perfeito…

———-

De feito nobre
Meus pais em seu leito
Capricharam nos “conformes”
E me fizeram sem defeito

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O cara que não gostava de enterros

Por Declev Dib-Ferreira em 29/03/2008

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Ele não gosta de enterros. Fica nervoso, sua, não sabe o que dizer à família, sempre dá vexame. Por isso ficou quase transparente quando soube da morte do primo. Menos porque era primo, pois estavam meio afastados, muito tempo sem se ver, do que pela perspectiva do enterro. “Tem que ir, família é família!” sentenciou a mãe, e completou: “e lembro muito bem de quando vocês eram crianças e ele veio ao enterro do seu cachorrinho de estimação”. É, tinha que ir, não queria ser injusto.

Para não começar errado, foi de terno negro, bem alinhado.

Lá chegando estavam todos de roupa informal, coloridas, alguns até de bermuda e camiseta. O coração bateu forte. Foi falar com outro primo. “Ele pediu à mãe, quando moribundo, que não queria enterro com cara de enterro, que as pessoas viessem com roupas coloridas, não te avisaram?”.

Não avisaram. Até o destino prega peças para ele em enterros.

Foi falar com sua tia, a mãe do morto. “Meus parabéns!”, ele disse. Nunca sabe o que dizer nessas horas. Confundiu as frases, essas frases decoradas que usamos nos mais diversos eventos: “Parabéns, você merece!”, “Muitos anos de vida!”, “Tudo de bom!”, “Espero que sejam muitos felizes!”, essas coisas. Sua tia parou de chorar e olhou para ele, assim como quem estava por perto e ouviu.

Saiu de fininho; se tentar consertar, piora.

Durante o velório estavam todos sérios, consternados, muitos chorando, se agarrando ao caixão e ele, nervoso, pensando no que mais poderia acontecer, não conseguiu controlar, começou a rir de nervoso (acontece com algumas pessoas, com ele, em enterros). Não estava conseguindo nem disfarçar, começou a ficar vermelho, colocou a mão na boca, tentava se controlar quando um de seus primos o abraçou chorando e disse: “não chore primo, todos vamos sentir falta…”. Aí ele não agüentou, soltou uma gargalhada – riso nervoso, eu já disse – que ninguém entendeu. Pararam de conversar os que estavam conversando, de chorar os que estavam chorando, de andar os que estavam andando, todos olharam para ele ao mesmo tempo.

Sentindo-se o alvo das atenções, fingiu um desmaio.

Só assim conseguiu parar de rir. Murmúrios, cochichos, até risinhos ele ouviu, mas ficou ali no chão, estático. Vieram socorrê-lo, deram tapinhas no rosto, trouxeram água. Fingiu acordar: “o quê?… que houve?…”. O colocaram na cadeira. Fingiu melhorar, mas por pelo menos quinze minutos, todos ali se esqueceram do morto. Depois da cena disse estar passando mal e foi embora. Nem viu o enterro.

Estava ficando cada vez mais nervoso com velórios e enterros.

No dia seguinte sua mãe ligou chorando, dizendo: “filho… minha irmã que estava na Europa há três anos…”. Ele teve um ataque cardíaco.

Morreu sem ouvir a mãe terminar a frase: “…vai chegar amanhã para nos visitar!… filho?…FILHO???…”.

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