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	<title>Hebdomadário Cultural &#187; Surreais</title>
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	<description>Unindo minha cara de pau com serviço cultural</description>
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		<title>O Carnaval</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Oct 2007 00:27:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Surreais]]></category>

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		<description><![CDATA[Dona Clotilde já está no escritório do Dr. Alaor. É uma hora da tarde de quarta-feira de cinzas. Veio cedo porque sabe que o patrão é criterioso nos horários e haverá uma reunião às duas horas. Para ela não houve problema de estar lá em plena quarta-feira de cinzas tão cedo; não gosta de carnaval, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dona Clotilde já está no escritório do Dr. Alaor. É uma hora da tarde de quarta-feira de cinzas. Veio cedo porque sabe que o patrão é criterioso nos horários e haverá uma reunião às duas horas. Para ela não houve problema de estar lá em plena quarta-feira de cinzas tão cedo; não gosta de carnaval, havia ido com mais algumas amigas da igreja para um retiro no sítio do pastor.</p>
<p>Seu Alaor chegou logo depois. Às 13h e 30 minutos adentra ele o escritório com uma roupa de árabe, a maleta em uma mão e a outra com o dedo em riste, subindo e descendo, cantando: “Ala-lá-ô ô ô ô ô ô ô , mas que calor ô ô ô ô ô ô&#8230;”. Dona Clotilde de olhos esbugalhadamente abertos e boca idem não conseguiu pronunciar palavra. Seu Alaor ao vê-la parou a cantoria, voltou à cara séria de costume e, em tom ríspido, perguntou: “Posso saber o que a senhora está fazendo aqui assim, fantasiada?”</p>
<p> Como? &#8211; foi só o que conseguiu dizer a, mais atônita ainda, Clotilde.</p>
<p>Por acaso a senhora pensa que ainda é carnaval? Trate de se recompor imediatamente!<br />
E entrou em sua sala, dançando e cantando, mas agora com passos firmes e cara fechada. Bateu a porta com força.</p>
<p>Durante cinco minutos lá ficou a dona Clotilde sentada e muda, de olhos e bocas como eu já disse que estavam, até que chegou o acessor para todos os assuntos externos (boy) e lhe tira do transe. Outro susto. O referido garoto está vestido de pirata, de tapa-olho, espada e tudo.</p>
<p>- Menino! Como é que você vem aqui assim?!? &#8211; quase caiu da cadeira.</p>
<p>- Assim como Cloclô? &#8211; ela não gosta dessas intimidades, e ele sabe disso &#8211; A senhora é que está com uma roupa esquisita, está fantasiada é?</p>
<p>- Como EU fantasiada?, você é que está!</p>
<p>- Hiii&#8230; endoidou&#8230; &#8211; pegou uma pilha de documentos que tinha que entregar e foi para a rua.</p>
<p>Mais uma vez a cena da dona Cloclô, ops!, desculpem, dona Clotilde estatelada na cadeira.<br />
Cinco minutos para as duas horas entra no escritório um grupo de homens vestidos de mulher. Seis ao todo. Entram cantando “Jingle bells, jingle bells, acabou o papel&#8230;” &#8211; não é música de carnaval, mas eles estão bêbados mesmo! &#8211; Dona Clotilde reconhece os acionistas que participarão da reunião.</p>
<p>- Temos uma reunião com o Dr. Alaor, por favor.</p>
<p>A essas alturas já não se surpreendeu tanto, mas continuou de olhos e bocas esbugalhadamente abertos.</p>
<p>- Sim senhor, ele os está aguardando, podem entrar.</p>
<p>- Que roupa estranha a sua, hein?!? &#8211; disse um deles antes de entrar.</p>
<p>Ela não agüentou. Deixou um bilhete em cima da mesa dizendo que estava passando mal e foi para casa. No caminho percebeu que todos, sem exceção, estavam fantasiados. Muitos estavam bêbados, jogavam confetes e serpentinas. Havia palhaços, odaliscas, reis e muitos outros. Estavam trabalhando normalmente, a não ser pelo fato de estarem fantasiados, bêbados e cantando marchinhas de carnaval. Camelôs, lojistas, motoristas de táxis e ônibus, até os guardas, todos estavam assim. “O que será que houve neste carnaval, alguma droga nova?”, pensou.</p>
<p>Chegando em casa tentou dormir para ver se acordava do sonho. Não conseguiu. Se olhou no espelho. Começou a achar-se esquisita, feia, sem graça. Abriu o armário. Achou todas as suas roupas muito estranhas. Foi até a penteadeira, desarrumou todo o cabelo, fez um penteado bem “tchan!”, pintou-se toda bem “cheguei!’, foi até o armário da filha, pegou roupas que ficaram bem justas, com as pernas e barriga de fora, pegou uma bolsinha, abriu a porta de casa e saiu, rodando a bolsinha, fantasiada de prostituta e cantando: “&#8230;mas que calor ô ô ô ô ô ô&#8230;”</p>
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		<title>Mulher Nua</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Oct 2007 00:18:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Surreais]]></category>
		<category><![CDATA[Surreal]]></category>

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		<description><![CDATA[- Você viu?!? - O quê? - Ali, naquela janela! - Qual? - Ali, aquela daquele prédio branco, a terceira da esquerda para a direita do 2o andar&#8230; - O que tem ela? - Apareceu uma mulher nua nela. - Não brinca! - É verdade! - E como você sabe que ela estava nua? - [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Você viu?!?<br />
- O quê?<br />
- Ali, naquela janela!<br />
- Qual?<br />
- Ali, aquela daquele prédio branco, a terceira da esquerda para a direita do 2o andar&#8230;<br />
- O que tem ela?<br />
- Apareceu uma mulher nua nela.<br />
- Não brinca!<br />
- É verdade!<br />
- E como você sabe que ela estava nua?<br />
- Eu vi, ué!<br />
- Poxa&#8230;</p>
<p>E ficaram os dois olhando para a janela, na esperança de ver a mulher nua.<br />
Chega um terceiro.</p>
<p>- Ei, o que vocês estão olhando?<br />
- Tem uma mulher nua naquela janela.<br />
- Qual? &#8211; olhos arregalados.<br />
- Aquela daquele prédio branco, a terceira da esquerda para a direita do 2o andar.<br />
- É mesmo?<br />
- É!</p>
<p>Ficaram os três olhando para a janela na esperança de ver a mulher nua. Chegam outras pessoas, fazem a mesma pergunta que todas as pessoas normais fariam (ou pelo menos teriam vontade de fazer) e todos respondem a mesma coisa:</p>
<p>- Tem uma mulher nua naquela janela &#8211; e antes da segunda pergunta que todas as pessoas normais fariam ou pelo menos teriam vontade de fazer, eles já emendam &#8211; ali, naquele prédio branco, a terceira da esquerda para a direita, no 2o andar.</p>
<p>O ajuntamento de gente começou a ficar maior. Foram chegando pessoas de todas as idades, raças, credos e sexos.</p>
<p>Como se ouviam também as mesmas perguntas e respostas em inglês, creio que até de outras nacionalidades.<br />
Todos queriam ver a tal mulher nua.</p>
<p>Já estavam olhando por cerca de trinta minutos quando a rua começou a ficar totalmente entupida. As pessoas já não cabiam na calçada, ficavam no meio da rua; e não adiantavam as buzinas, era por uma “boa” causa. Mas, de qualquer forma, ao avisarem aos motoristas do que se tratava, os próprios saíam de seus carros e ficavam olhando.<br />
Veio a polícia saber o que estava acontecendo. E também ficou ali olhando para a janela daquele prédio branco, a terceira da esquerda para a direita, do 2o andar.<br />
O bairro, ou pelo menos aquela rua e adjacências, já estava totalmente parado, com uma multidão olhando para o alto, quando algo se mexeu na janela.</p>
<p>- Olhem, olhem!<br />
- Silêncio!<br />
- É, silêncio!, senão vai espantar!<br />
- Shsssss! (com o dedo em riste encostado na boca fazendo biquinho)<br />
- Ooooooohhhh! &#8211; toda a multidão fez este “ooooooohhhh!” ao mesmo tempo.</p>
<p>Apareceu realmente uma mulher nua na janela. Ela viu aquela multidão olhando para ela e, sem entender nada, ficou ali olhando.<br />
A mulher nua olhando a multidão, a multidão olhando a mulher nua&#8230;</p>
<p>- É, uma mulher nua&#8230;<br />
- É&#8230;<br />
- É mesmo&#8230;</p>
<p>Começaram a ir embora, um a um. O grupo foi se dispersando, cada qual para o seu canto, cada um seguindo o seu caminho, continuando a fazer o que estava fazendo há uma hora e meia atrás. A polícia se foi, os motoristas entraram em seus carros. A rua já estava vazia. A multidão se dispersou.<br />
A mulher entrou.</p>
<p>E se vestiu.</p>
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		<title>A Compra</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Oct 2007 00:17:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As mulheres, lindas modelos, estavam em volta dos carros. Todos zero Qm, últimos lançamentos, chamando atenção. Elas estavam sorridentes, bem maquiadas, de bleiser vermelho, decote generoso na blusa, mini mini-saia preta com meia calça também preta e sapatos chiquérrimos de salto alto. Ele, quando viu a cena, gostou logo de cara. Andou em volta, olhou, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As mulheres, lindas modelos, estavam em volta dos carros. Todos zero Qm, últimos lançamentos, chamando atenção.</p>
<p>Elas estavam sorridentes, bem maquiadas, de bleiser vermelho, decote generoso na blusa, mini mini-saia preta com meia calça também preta e sapatos chiquérrimos de salto alto.<br />
Ele, quando viu a cena, gostou logo de cara. Andou em volta, olhou, olhou&#8230; viu as cores, as traseiras, as dianteiras, parece que viu por dentro e por fora. Então perguntou ao vendedor, de calça cinza, camisa verde escuro e gravata quadriculada de azul e vermelho (roupa típica de vendedor):</p>
<p>- Quanto é?<br />
- Qual delas?<br />
- Aquela morena ali&#8230;?<br />
- Ah, é um ótimo espécime, cabelos negros ondulados, olhos castanhos claros, pernas bem torneadas, uma ótima escolha senhor, veja só que sorriso (aquele papo de vendedor, sabem como é&#8230;), e o melhor: custa apenas isto, uma verdadeira pechincha!<br />
- É&#8230; acho que vou levar&#8230;<br />
- Ótima aquisição senhor! E ainda damos garantia!</p>
<p>O vendedor pôs um lacinho tipo de presente na cabeça da mulher, o comprador colocou-a na mala de seu carro e foi para casa, satisfeito com a nova compra.</p>
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