Textos para a Categoria ‘Poesias autorais’

Lições em contradições

Por Declev Dib-Ferreira em 11/04/2009

A harmonia
Desarmônica
Da natureza
Se mostra a mim

Uns competem e
Competem a outros
Não competir

Uns colaboram
Com o fim
Que é o começo
De outro

Outros se prendem
A tantos
Que, enfim,
Se tornam
Soltos

Aquele que vai
Nem sempre é
O que retorna

O que torna a ir
Por vezes
Quer ficar

Alimentar-se
Torna-se
O fim

Reproduzir-se
Torna ao
Começo

A vida é o meio
E o meio
De manter-se vivo

É o fim
E o começo

De um e
De outro

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Mãe Ãrvore

Por Declev Dib-Ferreira em 16/10/2007

Esta é uma poesia-prosa, mais ou menos grande, mas modéstia à parte, muito bonita.
É uma das que eu mais gosto. Alguns amigues já conhecem, pois… hãm hãm… tirou primeiro lugar num concurso (devia ter só uns dois ou três inscritos…).
E é também uma homenagem às mulheres, especialmente às mães. Mais uma vez, as mulheres…
Divirtam-se…

MÃE ÃRVORE

Houve árvores inesquecíveis
A vida passa, mas elas ficam
Infelizmente algumas apenas na memória

Ah, as árvores…

O que seria de minha infância sem as árvores?
A caramboleira do quintal da minha avó
Que caramboleira!
Grande, mas pequena
Como uma pequena mulher fofinha
Seus galhos finos a tornam esbelta quando vista por dentro,
Onde cabiam todos os meus sonhos
Lugares cativos meu e de meu irmão nos acolhiam
Quantas carambolas eu comi
Agora ela faz parte do meu corpo
E de minhas lembranças…
Minha infância já se foi,
Mas ela está lá

Teve melhor destino que a goiabeira
Que no meu quintal deu lugar à piscina
Mas em minha memória ela ocupa
Os principais arquivos de tempos idos
Era minha casa dentro do quintal de minha  casa
O meu universo quando minhas preocupações
Eram apenas comer meu lanche longe da mesa e do chão
Quantas proteínas ela me ofereceu
Através dos bichinhos dos caroços brancos de seus frutos
Hoje deito ao sol ao lado da piscina no vazio que ela deixou

Que saudade…

Saudade igual à que sinto pela minha “cabeludaâ€
Ah, que frutinha gostosa
Amarela como o sol
Redonda como as bolas de gude
Que eu tirava dos “triângulosâ€Â  de giz no cimento
Seus galhos frágeis não me agüentavam
Mas nada mais eu pedia
Que suas frutinhas de grandes caroços doces
Teve o mesmo destino que a goiabeira
Eram duas irmãs…
E hoje seu doce vive apenas na lembrança de meu paladar

Abacateiro que brincava de esconder
E guardava seus frutos em cima do telhado

Jameleiro que era artista
E pintava todo o chão com seu lindo violeta dos frutos

Todas vivem apenas na lembrança
Apenas na lembrança…

Existem outras,
Como o cajueiro da casa de praia
Se fazia de difícil,
Mas subíamos e pescávamos seus frutos nos mais altos galhos
Este embora vivo também vive na lembrança
Pois como um parente distante muito pouco o visito

Que saudade, árvore da frente da minha casa
Lindas suas flores brancas, suas enormes folhas
E seus frágeis galhos que se quebravam nos jogando ao chão
E sua seiva, que pingava como lágrimas de leite

Leite que brotava como nos seios das mães
Que vivem apenas na lembrança quente
De quando as árvores nos pegavam no colo,
Como mamãe também fazia.

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Ode à Mãe Natureza

Por Declev Dib-Ferreira em 16/10/2007

A vida fica mais bela
Quando um pássaro canta na janela

Não há cheiro mais gostoso meu senhor
Que o perfume delicado de uma flor

E por acaso há sombra mais gostosa
Que da copa de uma árvore bem frondosa?

Que sabor no mundo você mais estima
Que comer os frutos de uma árvore lá de cima?

Ah, como é bom deitar com quem se ama
Em um jardim todo coberto de grama

Não há água mais gostosa e mais fresquinha
Que a que desce o rio bem gelada e bem limpinha

E banho, que mais posso querer então
Que a chuva, que as nuvens lançam ao chão?

Qual lâmpada melhor nos ilumina
Que a luz do sol, em torno do qual a terra gira?

Não há paisagem mais bonita de se olhar
Que um céu de estrelas, acompanhando o luar

Não adianta o homem no papel azul pintar
Jamais será mais belo que a cor azul do mar

Não há linha tracejada mais perfeita
Que a linha do horizonte, onde o céu azul se deita

E me parece, nas estradas a viajar
Que as montanhas lá foram postas para enfeitar

Que expressão lhe traduz maior carinho
Que o eterno sorriso de um golfinho?

Você já viu vôo mais bonito
Que o da gaivota, pairando no infinito?

Ah, natureza: ar e terra, água e fogo
Dela nós fazemos parte
Vida é o que está em jogo!

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Paradoxo

Por Declev Dib-Ferreira em 16/10/2007

Mas que filme indecente!
Meu filho não pode ver

Que documentário horrível!
Fala de putas e prostitutas
Meu filho não sabe o que é isso!

Fala de gays e travestis
Meu filho pensa que Papai Noel existe!

Prostituição infantil?
Meu filho pensa que é um brinquedo

Sexo?
Deve ser o nome de uma revista

Ele pensa que nasceu da cegonha
Esse negócio de sementinha
É para mães indecentes
O meu filho é inocente

Tape os olhos, os ouvidos
Não veja o que estou vendo

Esse filme não é para crianças
Não te quero aprendendo o que não deve

Vá ver o jornal nacional
Há notícias interessantes:
Acidentes, mortes, assaltantes

Vá ler o jornal que compro todo dia
Mas – cuidado – se espremer sai sangue,
Leia em cima da pia!

Vá ver um filme americano
Eles é que são legais
Sabem o que querem

Filme brasileiro não presta
É só sexo!

Vá ver o que é pra você:
Filmes de ação, ou até um policial
Mas não veja cenas de sexo ou de amor
Porque ainda é cedo,

Tome de presente
Esta arma de brinquedo.

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