Textos para a Categoria ‘Mulheres’

Choronas

Por Declev Dib-Ferreira em 15/08/2011

CHORONAS

Declev Reynier

– Snif… snif…
РCom licen̤a.
– … snif…
– Desculpe, mas… o que houve?
– Nada… nada… snif…
– Como nada? Você tá chorando!
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Bode Pode

Por Declev Dib-Ferreira em 13/08/2011

BODE PODE

Declev Reynier

Vai meu filho, vai
Vai comer as garotinhas
Vai mostrar que você é homem
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Entrevista com o louco

Por Declev Dib-Ferreira em 04/11/2007

ENTREVISTA COM O LOUCO

Declev Reynier

Hãn? Meu nome? Não sei… não lembro mais…

Hãn? Minha casa? É… o hospício não é tão ruim. Aqui me sinto protegido; é sossegado, tirando os berros casuais de alguns colegas.

Hãn? Sim, sim, sou bem tratado.

Hãn? Visitas? De vez em quando recebemos as visitas de algum anjo. No gramado há alguns unicórnios e duendes, mas não são todos que conseguem vê-los.

Hãn? Solidão? Não, não… eu tenho um bichinho de estimação, o Gotchgotch. Ele não é daqui, é de outro planeta; caiu aqui no terreno numa cápsula espacial.

Hãn? Ele come ramiscabrini com molho menesquênsis.

Hãn? Quando cheguei aqui? Há alguns milênios, acho…

Hãn? Porquê vim para cá? Não sei, acho que me achavam normal demais para ficar no mundo louco lá de fora.

Hãn? As últimas coisas de que me lembro antes de vir prá cá? Não me lembro de muitas coisas não… lembro de uma mulher… e lembro de que eu falei um dia: “nem que seja a última coisa que eu faça, eu ainda vou compreender essa mulher!”…

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O cara, a amiga e a esposa

Por Declev Dib-Ferreira em 02/11/2007

O CARA, A AMIGA E A ESPOSA

Declev Reynier

Ele é apaixonado pela esposa. Vivem bem, têm casa, carro, boa comida, frequentam bons restaurantes, cinema, teatro. Nada de muito luxo, mas uma vida estável. Não têm filhos, mas pretendem ter, não um, mas três. É para ter uma família grande, estão acostumados com isso. Muitos irmãos, tios e primos de ambas as partes.

Ele tem também uma grande amiga. É uma amizade meio paixão, sei lá. Se gostam muito. Nunca aconteceu nada, creio que nem desejo por parte dos dois. São como irmãos que se dão muito bem. Ela sabe tudo da vida dele, seus desejos, anseios, dúvidas, seus medos, tudo. E vice-versa. Se conheceram bem pequenos e logo de início surgiu essa grande amizade. Já dormiram até na mesma cama, e podiam dormir mesmo abraçados, pois não acontecia nada.

É lógico que dormir na mesma cama não acontece mais depois que ele casou. Sua esposa, para seu desgosto, odeia esta amiga. E vice-versa. É uma situação complicada. As duas nem se olham. Se uma sabe que a outra estará em tal lugar, não vai. Como explicar para a amiga que, como as duas não se gostam, ele nem sempre estará disponível como antes estava, para aquelas longas conversas, aqueles “porres + choradeiras” que só dois grandes amigos sabem como é? E como convencer a esposa da falta que ele também sente?

Esposa, amiga. Amiga, esposa. Essas duas mulheres o estavam enlouquecendo. E de tanto enlouquecer, fez o que se espera de um louco: uma loucura. Pelo menos foi o que pensaram os conhecidos quando souberam. Convidou a esposa para ir a uma festa na qual a amiga estaria. Cansou de se dividir. Resolveu que teriam que se entender. Teriam que se falar – ou se aturarem em um mesmo ambiente, pelo menos. Quando a convidou, a primeira pergunta da esposa, em tom de ironia,  foi: “sua amiguinha vai?”. “É claro que não!”, respondeu.

Foram. Chegaram antes da “amiguinha”. Estavam bebericando algo quando esta chegou. Ouviu-se um murmurinho, pessoas cochichando, espantadas com o final que poderia ter. Já tinham visto algo semelhante e não gostaram nem um pouco. Alguns ficaram até meio gelados. Ele, o amigo de uma e esposo da outra, foi o que mais gelou. Sua mulher estava conversando distraidamente, de costas para a entrada principal quando virou-se e a viu entrando. O copo caiu de sua mão, chamando a atenção da outra que, quando a viu, quis ir embora, impedida por amigos. A esposa, depois do limpa daqui, enxuga dali, quis dar um escândalo, gritar com o marido, sair correndo, mas se conteve. Tiveram que se encontrar. Antes de se encararem, as duas olharam o responsável pelo encontro como se quisessem fuzilá-lo. Chegou a hora: “oi…”, “oi, tudo bem?”, “tudo”.

E foi só. Todo esse diálogo foi feito de semblantes fechados e singelos balançares de cabeça. A festa transcorreu na maior serenidade, uma aqui, outra lá, na medida do possível. Ele até estranhou não tocarem no assunto… na festa. Em casa levou o maior puxão de orelha desde o casamento. Não deu uma palavra, deixou a esposa desabafar. Naquela noite não teve nada. Como castigo.

No dia seguinte ainda ouviu um pequeno sermão da amiga pelo telefone. Ela jurou que se fizesse isso de novo, cortaria relações. Ele prometeu que não faria. Mas não cumpriu. Promoveu vários outros encontros. Passava noites e noites em greve, mas valia à pena. A amiga sempre jurava não lhe falar mais. Nunca cumpriu.

Foram tantas vezes que as duas começaram a travar conversas amigáveis – que chegaram a até cinco frases cada uma! Num desses encontros, no fundo, já esperados, chegaram a ficar conversando por mais de meia hora. Em casa ela comenta: “Sabe aquela tua amiga?”

– Qual?

– Você sabe…

– Ah…, o que tem?

– Até que tem uma cabeça legal, concordamos em vários pontos. Foi bom ter conversado com ela.

Ele não perguntou nem falou mais nada. Foi dormir com um sorrizinho de vitória no rosto. Ouviu quase que o mesmo comentário da outra. Também não disse uma palavra. Quis dar tempo ao tempo.

No fim de semana será seu aniversário. Pensou se chama ou não a amiga para o almoço. Antes de perguntar se seria conveniente, a esposa fala: “Por quê não convida sua amiga? Afinal, é o seu aniversário.” Chamou. Ela a princípio relutou, mas disse que iria.

No dia, depois que a convidada apareceu, ele que teve que recepcionar as outras pessoas e  servir todo mundo. Sua esposa ficou conversando com ela todo o tempo, a essas alturas, amiga dos dois. Mostrou a casa, todas as fotos que existiam, deram boas risadas. Quem se sentiu meio chateado agora foi ele. Se sentiu meio rejeitado, com ciúmes das duas. Mas fazer o quê, não era isso que queria?

Descobriram coisas maravilhosas uma sobre a outra. Esqueceram os defeitos e tudo mais que as faziam se odiar. Tornaram-se grandes amigas. Ela agora freqüenta a casa  quase todos  os dias. Ele está satisfeito, tem as duas perto de si como queria, sendo que, às vezes, se sente meio jogado. É só reclamar e receber carinho dobrado, mas logo o esquecem e voltam às conversas, algumas confidenciais.

Começaram a sair juntas. Sem ele. Cinema, choppinho, praia. Parecem irmãs gêmeas que se adoram. Ele começou a se sentir sozinho. E com razão. Até sexo diminuíra a freqüência. A esposa começou a ficar mais séria dentro de casa, as visitas da amiga começaram a escassear, embora saíssem muito juntas. Sua antiga confidente não está mais ligando para ele, como fazia antes. Quando ele liga ela é fria, distante.

Ele está preocupado. E curioso. A curiosidade logo se desfez, se transformando  em estupefação. A  esposa  lhe  contou o que estava acontecendo. Ela estava saindo de casa, iria para a casa da amiga, que a essas alturas não era só amiga. Estavam apaixonadas e iriam morar juntas.

A amiga lhe pediu para que continuassem amigos. Ele não quis.

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Criação poética do universo

Por Declev Dib-Ferreira em 22/10/2007

No início não havia nada.
E nada havia de haver
Não tivesse Deus uma idéia fixa na cabeça.
Primeiro chutou o chão do universo que nada tinha
Levantando a poeira cósmica,
Fez bolinhas de areia com as mãos
Formando os milhares de milhões de mundos…
Alguns mundos ele deixou apagados
Outros ele pôs fogo
Após criar o fogo, claro
Outros, como bolinhas de gude,
Fez vagar pelo imenso universo…

Em um desses mundinhos apagados
Ele criou muitas das coisas que agora conhecemos
Ele chorou para fazer as águas
Ele cobriu com lençol para fazer a noite
Ele furou o lençol para fazer as estrelas aparecerem
Colou uma lua linda nesse lençol
Sempre sem tirar da cabeça
A sua idéia fixa.

A lua inspirou Deus…
Sua idéia era fazer algo perfeito e complexo…

E ele foi tentando:
Fez as plantas:
Musgos, algas, samambaias, rosas (o que o fez ficar mais inspirado), árvores…
Mas não ficou satisfeito;
Fez então os animais:
Vermes, siris, peixes, jacarés, golfinhos, macacos…
Chegou quase,
Mas não ficou satisfeito;
Fez o homem,
Achou que tinha conseguido!
Foi descansar
Mas foi só Deus virar as costas
Para o homem o decepcionar.
Também,
O homem era (e ainda é) tão… bruto, peludo, feio, carrancudo… tão parecido com o animal
Passou-se muito tempo
E Deus fazendo e refazendo suas fórmulas,
Até que
Criou a mulher.

E sem saber, aí sim,
Ele criou um verdadeiro universo.

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Como conquistar uma mulher

Por Declev Dib-Ferreira em 18/10/2007

Após 34 anos de profundas análises, pesquisas, perguntas, experiências próprias, filmes assistidos e outras formas de recolher as mais variadas e confiáveis informações, acho que talvez, quem sabe, quiçá eu tenha entendido como agradar e conquistar uma mulher – e para sempre!

Afinal, nada pode ser mais simples que a alma feminina…

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InspiraçãoMulher NuaEntrevista com o louco



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Mulher Nua

Por Declev Dib-Ferreira em 16/10/2007

MULHER NUA

Declev Reynier

РVoc̻ viu?!?

РO qu̻?

– Ali, naquela janela!


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A Compra

Por Declev Dib-Ferreira em 16/10/2007

As mulheres, lindas modelos, estavam em volta dos carros. Todos zero Qm, últimos lançamentos, chamando atenção.

Elas estavam sorridentes, bem maquiadas, de bleiser vermelho, decote generoso na blusa, mini mini-saia preta com meia calça também preta e sapatos chiquérrimos de salto alto.
Ele, quando viu a cena, gostou logo de cara. Andou em volta, olhou, olhou… viu as cores, as traseiras, as dianteiras, parece que viu por dentro e por fora. Então perguntou ao vendedor, de calça cinza, camisa verde escuro e gravata quadriculada de azul e vermelho (roupa típica de vendedor):

РQuanto ̩?
– Qual delas?
– Aquela morena ali…?
– Ah, é um ótimo espécime, cabelos negros ondulados, olhos castanhos claros, pernas bem torneadas, uma ótima escolha senhor, veja só que sorriso (aquele papo de vendedor, sabem como é…), e o melhor: custa apenas isto, uma verdadeira pechincha!
– É… acho que vou levar…
– Ótima aquisição senhor! E ainda damos garantia!

O vendedor pôs um lacinho tipo de presente na cabeça da mulher, o comprador colocou-a na mala de seu carro e foi para casa, satisfeito com a nova compra.

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Mãe Árvore

Por Declev Dib-Ferreira em 16/10/2007

Esta é uma poesia-prosa, mais ou menos grande, mas modéstia à parte, muito bonita.

É uma das que eu mais gosto. Alguns amigues já conhecem, pois… hãm hãm… tirou primeiro lugar num concurso (devia ter só uns dois ou três inscritos…).

E é também uma homenagem às mulheres, especialmente às mães. Mais uma vez, as mulheres…

Divirtam-se…

MÃE ÁRVORE

Declev Reynier

Houve árvores inesquecíveis
A vida passa, mas elas ficam
Infelizmente algumas apenas na memória

Ah, as árvores…

O que seria de minha infância sem as árvores?
A caramboleira do quintal da minha avó
Que caramboleira!
Grande, mas pequena
Como uma pequena mulher fofinha
Seus galhos finos a tornam esbelta quando vista por dentro,
Onde cabiam todos os meus sonhos
Lugares cativos meu e de meu irmão nos acolhiam
Quantas carambolas eu comi
Agora ela faz parte do meu corpo
E de minhas lembranças…
Minha infância já se foi,
Mas ela está lá

Teve melhor destino que a goiabeira
Que no meu quintal deu lugar à piscina
Mas em minha memória ela ocupa
Os principais arquivos de tempos idos
Era minha casa dentro do quintal de minha  casa
O meu universo quando minhas preocupações
Eram apenas comer meu lanche longe da mesa e do chão
Quantas proteínas ela me ofereceu
Através dos bichinhos dos caroços brancos de seus frutos
Hoje deito ao sol ao lado da piscina no vazio que ela deixou

Que saudade…

Saudade igual à que sinto pela minha “cabeluda”
Ah, que frutinha gostosa
Amarela como o sol
Redonda como as bolas de gude
Que eu tirava dos “triângulos”  de giz no cimento
Seus galhos frágeis não me agüentavam
Mas nada mais eu pedia
Que suas frutinhas de grandes caroços doces
Teve o mesmo destino que a goiabeira
Eram duas irmãs…
E hoje seu doce vive apenas na lembrança de meu paladar

Abacateiro que brincava de esconder
E guardava seus frutos em cima do telhado

Jameleiro que era artista
E pintava todo o chão com seu lindo violeta dos frutos

Todas vivem apenas na lembrança
Apenas na lembrança…

Existem outras,
Como o cajueiro da casa de praia
Se fazia de difícil,
Mas subíamos e pescávamos seus frutos nos mais altos galhos
Este embora vivo também vive na lembrança
Pois como um parente distante muito pouco o visito

Que saudade, árvore da frente da minha casa
Lindas suas flores brancas, suas enormes folhas
E seus frágeis galhos que se quebravam nos jogando ao chão
E sua seiva, que pingava como lágrimas de leite

Leite que brotava como nos seios das mães
Que vivem apenas na lembrança quente
De quando as árvores nos pegavam no colo,
Como mamãe também fazia.

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