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	<title>Hebdomadário Cultural &#187; Humor</title>
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	<description>Unindo minha cara de pau com serviço cultural</description>
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		<title>Os perigos que passo</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Sep 2011 02:16:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Perigos]]></category>
		<category><![CDATA[Medo]]></category>
		<category><![CDATA[Vida]]></category>

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		<description><![CDATA[Esta vida é realmente perigosa. Quando paro para pensar os perigos que já passei e que passo todos os dias, me tremo todo. Fico com medo até de sair de casa, de pôr os pés na rua.

(...)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><strong>OS PERIGOS QUE PASSO</strong></p>
<p style="text-align: right"><em><strong>Declev Reynier</strong></em></p>
<p>Esta vida é realmente perigosa. Quando paro para pensar os perigos que já passei e que passo todos os dias, me tremo todo. Fico com medo até de sair de casa, de pôr os pés na rua.<span id="more-363"></span></p>
<p>Imaginem vocês que eu saio de casa todos os dias. É quase um absurdo. Saio de casa todos os dias! Olha o risco que corro! Posso ser atropelado, assaltado, raptado, escarafunchado, picado por uma abelha, “etc&#8230;ado”. Posso até pisar num cocô!</p>
<p>Sempre que saio de casa atravesso ruas. E se eu me distrair, tropeçar ou qualquer coisa assim? E se eu escorregar? E se cair um monte de moedinhas no meio do trajeto de uma calçada a outra e eu, no ímpeto de catá-las, me agachar à frente de um ônibus ou caminhão em alta velocidade (como aliás, eles sempre andam)? Ou, e se neste mesmo trajeto, vier um ciclista descuidado na contramão e me acertar em cheio, como acertaram a minha vozinha de 74 anos há pouco tempo? (ela já está bem, obrigado!). <em>[Nota: crônica antiga. Minha vó já faleceu há anos].</em> E se um dos motoristas daltônicos (85 a 90% ao todo), que não enxergam direito quando um sinal está vermelho ou verde, furar um sinal vermelho e me atropelar? E se&#8230; UFA!&#8230; atravessar ruas não é nada fácil!</p>
<p>Agora pasmem: eu, quase sempre, pego ônibus! Eu pego ônibus!!! Só de imaginar, eu, em pé em uma parada de ônibus, com aquele solzão na cabeça, correndo o risco de tomar banho de água suja (porque, se você já pegou ônibus em sua vida, sabe que, tenha o sol que tiver, há uma poça d’água em frente à parada), respirando todos os gases tóxicos que os veículos jogam em cima da gente &#8211; o que pode resultar em um câncer de pulmão, entre outras doenças &#8211; já começo a tossir desenfreadamente&#8230; (pausa para tosse). E o risco que corro de tomar um tombo ao subir nos ônibus? Aliás, um enorme tombo. Porque volta e meia os motoristas  não  param  para você entrar, principalmente se você é homem, jovem e estiver sozinho na parada. Aí é fatal. Você tem que se agarrar com todas as forças na barra e se impulsionar para dentro do ônibus em movimento. Que risco! Foi numa dessas que quase levei um tombo espetacular, e, depois de quase me estatelar no asfalto o motorista, creio que ficou com a consciência pesada, parou para eu entrar.</p>
<p>Entrar nos ônibus já daria uma epopeia, mas lá dentro as coisas não melhoram. Corro o risco de ser assaltado (o que já o fui algumas vezes), e o risco de algum acidente, visto que os motoristas são “educadíssimos” e dirigem como se estivessem em uma máquina de vídeo-game (com raras exceções).</p>
<p>Falando na educação dos motoristas e trocadores, qualquer usuário deste tipo de transporte de massa sabe que corre o risco de ser maltratado, xingado, cuspido e agredido por estes trabalhadores &#8211; também com suas exceções e talvez devido ao stress a que são acometidos no trânsito.</p>
<p>Você pode dizer: “Ah, vá de táxi”, mas você já parou para pensar no perigo de se tomar um táxi? E se o taxista for um assaltante? E se for um barbeiro? E se ele leva seus passageiros para cantos escuros e os assalta? e se os&#8230; estupra?!?  ARGH!!!</p>
<p>Pensa que tudo pode ser resolvido se você tiver um carro? E todos os acidentes que acontecem todos os dias? E as dezenas, centenas de pessoas que ficam espremidas entre os destroços do que outrora fora seus carros? Eu passo por este risco acidental quase todos os dias.</p>
<p>Você já andou pelos loucos trânsitos das grandes cidades dentro de um fusquinha<em> [tá, essa crônica é antiga!]</em> com mais umas três ou quatro pessoas? Uau! É como uma lata de sardinha na despensa no meio de latas de leite em pó das grandes quando cai a prateleira. Com a diferença que não são sardinhas, são pessoas que estão na “lata”. Já está me dando um ataque de claustrofobia.</p>
<p>E por falar em claustrofobia, vocês não vão nem acreditar nos riscos  que  eu  corro  de  vez   em  quando,  quando  vou  a  um  edifício: primeiro:  eu pego elevador, com todos os riscos que isso pode acarretar, como ficar com a perna presa na porta, acabar a eletricidade e o elevador parar e eu morrer sufocado por falta de ar, ou até a queda do aparelho. Queda sim, porque elevador pode ser muito seguro, mas conheço umas histórias de quedas. Ainda acho que me arrisco muito. E quando estou lá em cima no prédio, o risco de incêndio? O risco de desabamento, o risco de atentado? Há casos e mais casos de todos estes casos. <em>[Escrito ANTES de 11/09/11]</em></p>
<p>Sei que a estas alturas você deve estar com um início de depressão e pavor de sair às ruas, mas falando em altura há um risco que toda pessoa que viaja grandes distâncias (como eu de vez em quando) é quase que obrigado a correr: o risco de estabacar lá de cima com avião e tudo. É como uma roleta russa. Você entra no avião e sabe-se lá de que jeito você vai descer. Que vai descer vai! Tenho certeza que você não vai à cabine do piloto para ver se há piloto ou se o piloto têm o brevê.</p>
<p>Depois alguém pergunta para você: “Fez boa viajem?” e você responde: “Claro!”. Você diz  “claro” porque sabe que só há dois tipos de viagens de avião: as boas (nas quais você desce vivo) e as ruins (nas quais você já imagina). E sempre tem algum engraçadinho lá em cima quando o avião está passando por uma grande turbulência e tremendo como liquidificador. Você todo nervoso e ele fazendo piadinhas:</p>
<p>__ Este avião é seu?</p>
<p>__ Não!</p>
<p>__ Você tem ações desta companhia?</p>
<p>__ Não!</p>
<p>__ Então está preocupado com o quê? Deixa esta merda cair!</p>
<p>__ Rá&#8230; rá&#8230; rá&#8230;</p>
<p>É, a vida não está fácil. Quanto mais máquinas inventam, mais perigo corro. Mas o meu grande medo, que, sinto dizer, todos vocês também correm,  é estar calmamente andando pela rua e cruzar com um&#8230;, com um&#8230;, político! &#8211; Cruz-Credo, isola na madeira, pé-de-pato, mangalô três vezes!!! &#8211; Melhor nem pensar nisso!</p>
<p>Com as suas raras exceções, é claro!</p>
<p style="text-align: left">
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		<title>Choronas</title>
		<link>http://blogjunto.com/hebdomadario/2011/08/15/choronas/</link>
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		<pubDate>Mon, 15 Aug 2011 20:28:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Choro]]></category>
		<category><![CDATA[Desgraças]]></category>
		<category><![CDATA[Ônibus]]></category>

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		<description><![CDATA[- Snif... snif...
- Com licença.
- ... snif...
- Desculpe, mas... o que houve?
- Nada... nada... snif...
- Como nada? Você tá chorando!

(...)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center" align="center"><strong>CHORONAS</strong></p>
<p style="text-align: right" align="right"><strong><em>Declev Reynier</em></strong></p>
<p>- Snif&#8230; snif&#8230;<br />
- Com licença.<br />
- &#8230; snif&#8230;<br />
- Desculpe, mas&#8230; o que houve?<br />
- Nada&#8230; nada&#8230; snif&#8230;<br />
- Como nada? Você tá chorando!<span id="more-303"></span><br />
- Não é nada demais&#8230; uma coisinha à toa&#8230; snif&#8230;<br />
- Ora, ninguém chora assim dentro de um ônibus por uma coisinha à toa. Vamos, me conte, também sou mulher, quem sabe posso te ajudar?<br />
- Bem&#8230; é que&#8230; fui despedida hoje&#8230; snif&#8230;<br />
- Oh, meu Deus! Isso realmente é ruim. Mas não há de ser nada. Você pode conseguir outro emprego!<br />
- É&#8230; mas não é só isso&#8230; snif&#8230;<br />
- O que mais?<br />
- Eu&#8230; ah não!&#8230; fico sem jeito!<br />
- Ora, vamos, desabafe!<br />
- É que&#8230; eu cheguei em casa mais cedo porque fui despedida né?, aí encontrei meu marido na cama com outra&#8230; snif&#8230;<br />
- Oooohhh!<br />
- E era minha melhor amiga!<br />
- Puxa&#8230;<br />
- Antes de sair de casa correndo fui pegar minha cachorrinha de estimação, ela me mordeu e fugiu&#8230;<br />
- Nooossa&#8230; snif&#8230;<br />
- Aí saí de casa andando pela rua sem saber o que fazer, acabei sendo assaltada. Levaram minha bolsa com todos meus documentos e o dinheiro que tinha recebido.<br />
- Nããão! Snif&#8230; snif&#8230;<br />
- Resolvi ir para casa da minha mãe, acabei entrando neste ônibus, depois vi que é a linha errada e não tenho mais dinheiro nenhum&#8230;<br />
- Nossa!&#8230; snif&#8230; snif&#8230; hic!&#8230; snif&#8230;<br />
- E ainda por cima, entrando aqui quebrei minha unha que fiz ontem!<br />
- Ah, não, snif&#8230; snif&#8230; Isso não! Snif&#8230; hic!&#8230; snif&#8230;<br />
- Com licença&#8230;<br />
- Aonde você vai? Snif&#8230; snif&#8230;<br />
- Vou descer no próximo ponto. Não aguento ninguém chorando assim do meu lado!</p>
<h1 style="text-align: left"><em><strong><span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px"><br />
</span></strong></em></h1>
]]></content:encoded>
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		<title>Bode Pode</title>
		<link>http://blogjunto.com/hebdomadario/2011/08/13/bode-pode/</link>
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		<pubDate>Sat, 13 Aug 2011 22:36:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Humor]]></category>
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		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
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		<description><![CDATA[Vai meu filho, vai 
Vai comer as garotinhas 
Vai mostrar que você é homem 

(...)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center" align="center"><strong>BODE PODE</strong></p>
<p style="text-align: right" align="right"><strong><em>Declev Reynier</em></strong></p>
<p style="text-align: left">Vai meu filho, vai<br />
Vai comer as garotinhas<br />
Vai mostrar que você é homem <span id="more-289"></span>E não me decepcione<br />
Se uma delas engravidar<br />
Não tem problema,<br />
Nós mandamos abortar<br />
Ah, esse é o meu galinho<br />
Cabra macho, sim senhor<br />
Desde bem pequenininho<br />
Já brincava de doutor<br />
Afinal, para que serve o “bilinblau”?<br />
Mas, agora, minha filhinha<br />
É uma santa, não galinha<br />
Namorado, só em casa<br />
De mãos dadas e mais nada<br />
Se for sair, não adianta<br />
Só com o irmão<br />
Eu já disse: ela é santa!<br />
Dez horas tem que estar de volta<br />
&#8220;É muito cedo pai!”<br />
Mas não importa<br />
Filha minha virgem casa<br />
Lava, passa, cozinha<br />
E arruma toda a casa<br />
Mesmo se marido não encontrar<br />
Só sendo virgem<br />
Para na minha casa morar<br />
Mulher sem a pelinha,<br />
Como pode?<br />
Eu prendo a ovelhinha,<br />
Mas solto o meu bode!</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>O cara que não gostava de enterros</title>
		<link>http://blogjunto.com/hebdomadario/2008/03/29/o-cara-que-nao-gostava-de-enterros/</link>
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		<pubDate>Sat, 29 Mar 2008 23:01:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Enterros]]></category>
		<category><![CDATA[Morte]]></category>

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		<description><![CDATA[Ele não gosta de enterros. Fica nervoso, sua, não sabe o que dizer à família, sempre dá vexame. Por isso ficou quase transparente quando soube da morte do primo. 

(...)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><strong>O CARA QUE NÃO GOSTAVA DE ENTERROS</strong></p>
<p style="text-align: right"><em><strong>Declev Reynier</strong></em></p>
<p>Ele não gosta de enterros. Fica nervoso, sua, não sabe o que dizer à família, sempre dá vexame. Por isso ficou quase transparente quando soube da morte do primo. Menos porque era primo, pois estavam meio afastados, muito tempo sem se ver, do que pela perspectiva do enterro. “Tem que ir, família é família!” sentenciou a mãe, e completou: “e lembro muito bem de quando vocês eram crianças e ele veio ao enterro do seu cachorrinho de estimação”. É, tinha que ir, não queria ser injusto.</p>
<p>Para não começar errado, foi de terno negro, bem alinhado.</p>
<p>Lá chegando estavam todos de roupa informal, coloridas, alguns até de bermuda e camiseta. O coração bateu forte. Foi falar com outro primo. “Ele pediu à mãe, quando moribundo, que não queria enterro com cara de enterro, que as pessoas viessem com roupas coloridas, não te avisaram?”.</p>
<p>Não avisaram. Até o destino prega peças para ele em enterros.</p>
<p>Foi falar com sua tia, a mãe do morto. “Meus parabéns!”, ele disse. Nunca sabe o que dizer nessas horas. Confundiu as frases, essas frases decoradas que usamos nos mais diversos eventos: “Parabéns, você merece!”, “Muitos anos de vida!”, “Tudo de bom!”, “Espero que sejam muitos felizes!”, essas coisas. Sua tia parou de chorar e olhou para ele, assim como quem estava por perto e ouviu.</p>
<p>Saiu de fininho; se tentar consertar, piora.</p>
<p>Durante o velório estavam todos sérios, consternados, muitos chorando, se agarrando ao caixão e ele, nervoso, pensando no que mais poderia acontecer, não conseguiu controlar, começou a rir de nervoso (acontece com algumas pessoas, com ele, em enterros). Não estava conseguindo nem disfarçar, começou a ficar vermelho, colocou a mão na boca, tentava se controlar quando um de seus primos o abraçou chorando e disse: “não chore primo, todos vamos sentir falta&#8230;”. Aí ele não agüentou, soltou uma gargalhada – riso nervoso, eu já disse – que ninguém entendeu. Pararam de conversar os que estavam conversando, de chorar os que estavam chorando, de andar os que estavam andando, todos olharam para ele ao mesmo tempo.</p>
<p>Sentindo-se o alvo das atenções, fingiu um desmaio.</p>
<p>Só assim conseguiu parar de rir. Murmúrios, cochichos, até risinhos ele ouviu, mas ficou ali no chão, estático. Vieram socorrê-lo, deram tapinhas no rosto, trouxeram água. Fingiu acordar: “o quê?&#8230; que houve?&#8230;”. O colocaram na cadeira. Fingiu melhorar, mas por pelo menos quinze minutos, todos ali se esqueceram do morto. Depois da cena disse estar passando mal e foi embora. Nem viu o enterro.</p>
<p>Estava ficando cada vez mais nervoso com velórios e enterros.</p>
<p>No dia seguinte sua mãe ligou chorando, dizendo: “filho&#8230; minha irmã que estava na Europa há três anos&#8230;”. Ele teve um ataque cardíaco.</p>
<p>Morreu sem ouvir a mãe terminar a frase: “&#8230;vai chegar amanhã para nos visitar!&#8230; filho?&#8230;FILHO???&#8230;”.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Do outro lado; crônica de um rapaz todo esquerdo&#8230;</title>
		<link>http://blogjunto.com/hebdomadario/2008/03/26/do-outro-lado-cronica-de-um-rapaz-todo-esquerdo/</link>
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		<pubDate>Wed, 26 Mar 2008 13:05:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Sobre mim]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu Devia ser canhoto. Não sei como consigo escrever e fazer outras tantas coisas com minha mão direita (grande mão direita!!!).

(...)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><strong>DO OUTRO LADO; CRÔNICA DE UM RAPAZ TODO ESQUERDO&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: right"><em><strong>Declev Reynier</strong></em></p>
<p>Eu Devia ser canhoto. Não sei como consigo escrever e fazer outras tantas coisas com minha mão direita (grande mão direita!!!).</p>
<p>Pode ser coincidência, ou pode ser até que eu fique procurando mais e mais coisas para corroborar a minha hipótese, mas o fato é que quase tudo o que acontece comigo, é no lado esquerdo. Digo quase tudo porque pode haver coisas que não me lembro.</p>
<p>Não sei nem por onde começar a lista.</p>
<p>Tenho um problema na vista. Um não, mas vários. Por exemplo, eu não tenho firmeza na vista, minha visão treme toda a não ser olhando para o lado direito. Claro que para o lado esquerdo treme. Já me falaram que foi “torcicolo de parto”. Já viu alguém ter “torcicolo de parto”? Acho que pensaram que eu era tampa de rosca! Além disso tenho astigmatismo nas duas vistas. É lógico que a vista esquerda é bem pior.</p>
<p>O único corte de que me lembro que tenha ficado uma cicatriz em meu corpo foi conseguido descascando cana. É no dedo indicador&#8230; da mão esquerda.</p>
<p>A minha canela esquerda é cheia de marcas. Por pura coincidência ou força do destino já a machuquei várias vezes. Teve uma vez até que deu uma infecção e ela ficou cheia de bolotas de pús; parecia uma obra de arte.</p>
<p>Lá pelos meus quinze anos estava chupando cana (de novo a cana) quando um dente incisivo superior se quebrou ao meio. O esquerdo. O mesmo que tempos antes havia me feito sofrer numa cadeira de dentista ao realizar um tratamento de canal.</p>
<p>A pouco tempo estava comendo pipoca, dei uma mordida em um milho mais duro. Joguei fora o “milho”. Senti algo estranho na boca. Quando olhei no espelho, havia quebrado um pedaço do molar inferior. Esquerdo.</p>
<p>O meu&#8230; você sabe o quê&#8230; é virado para a esquerda.</p>
<p>Na política eu sou de esquerda, graças a Deus.</p>
<p>Estou com alguma coisa me incomodando no joelho esquerdo. Sempre que vou me agachar ele estala, e quando fico muito tempo de pé ele incomoda.</p>
<p>A única coisa que quebrei em meu corpo em toda minha vida foi num campeonato de jiu-jitsu (sim, já fiz algum esporte!): o braço esquerdo.</p>
<p>Minhas orelhas são diferentes. Uma é mais para dentro que a outra. Mas na verdade não sei qual seria a forma “certa”, não veio manual.</p>
<p>É. Não me lembro de mais nada, mas só para constar: quando durmo com alguém na cama, eu prefiro ficar do lado esquerdo.</p>
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		</item>
		<item>
		<title>O palhaço</title>
		<link>http://blogjunto.com/hebdomadario/2008/03/24/o-palhaco/</link>
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		<pubDate>Mon, 24 Mar 2008 13:51:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Sofrimento]]></category>
		<category><![CDATA[Ciladas]]></category>
		<category><![CDATA[Palhaço]]></category>

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		<description><![CDATA[Ele só vai trabalhar à noite, mas os dias não estão muito bons para ele...

Aliás, a vida não está sorrindo ultimamente para este pobre sujeito. 

(...)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><strong>O PALHAÇO</strong></p>
<p style="text-align: right"><em><strong>Declev Reynier</strong></em></p>
<p>Ele só vai trabalhar à noite, mas os dias não estão muito bons para ele&#8230;</p>
<p>Aliás, a vida não está sorrindo ultimamente para este pobre sujeito. Tem dívidas, muitas dívidas, faz uma dívida maior para cobrir uma menor. Procura outros empregos, mas a vida não está fácil e todos os empregos &#8211; até de porteiro &#8211; exigem experiência e referências, mas como um novato pegar experiência se todos os empregos pedem experiência?</p>
<p>Seus amigos o abandonaram, estão bem, empregados, com um dinheirinho para a cerveja, mulher e filhos. Não têm tempo para ficar ouvindo suas lamentações ou praticando filantropia. Sente-se só.</p>
<p>Quando numa fase melhorzinha, ele tinha lá o seu fusquinha, velho, mas que o levava com a esposa e as duas filhas para dar umas voltas no fim de semana pelos parques de seu bairro e à praia (por que é de graça). Só que esse carro é muito visado no Rio de Janeiro. Da última vez que fizeram compras de mês (quando o dinheiro ainda dava) e o dito cujo estava cheio de sacolas de supermercado, ao deixarem por um momento sozinho (voltaram para pegar um saquinho de azeitona que esqueceram), foi roubado. Roubado! Com todas as compras dentro. Imaginem o desespero. Não, não imaginem para não caírem em lágrimas.</p>
<p>Pelo menos ele tinha sua adorável esposa e suas adoráveis filhas.</p>
<p>Tinha, porque o mundo quase caiu em sua cabeça aquele dia em que ia fazer uma viagem para outra cidade tentar um emprego e a esposa mandou as filhas para a casa da avó para poder “arrumar a casa” sossegada. Ele perdeu o ônibus e automaticamente a entrevista e o emprego. Não sabe ainda se foi azar ou sorte. Chegou cedo em casa, abriu a porta e por um momento chegou a pensar que a esposa estava passando mal no quarto, pelos gemidos, urros, gritos e sussurros que dava, mas, qual sua surpresa ao ver a cena chocante: a esposa “cavalgando” o padeiro da esquina a quem ele estava devendo há mais de três meses, vestida só com um chapéu de caubói. Não é preciso dizer que toda a vizinhança ficou sabendo&#8230; Vocês conhecem bairro de periferia, todos sabem da vida de todos, principalmente quando saem duas pessoas peladas pelo meio da rua &#8211; e não são marido e esposa &#8211; com um homem de olhos esbugalhados e vermelhos correndo atrás &#8211; o marido &#8211; com uma faca de cozinha na mão e a cueca do outro na outra. Depois de tudo calmo ela ainda tentou se explicar, dizendo que assim ele, o padeiro, perdoaria a dívida dele, o corno. Ah&#8230;, pensou, por isso que o açougueiro, o dono da barraca da feira aos domingos e o diretor da escola das filhas não estavam mais cobrando aquelas dívidas&#8230;</p>
<p>Divórcio. A mulher, com a orientação do advogado, declarou em prantos, na frente de todos que estavam ali para ouvir (e eu estava) que o nosso amigo não estava mais “dando no couro” (expressão da própria), não estando, portanto, cumprindo sua função conjugal, tendo ela que procurar outros homens para se sentir mulher novamente. Bem, tirando aquelas duas vezes mês passado que “ele” não subiu, coisa que me contou chorando como uma criança me pedindo segredo (que eu guardei até aqui, espero que você também o faça), isso é uma mentira. Mas ela conseguiu, ficou com a guarda das crianças.</p>
<p>Há uma semana estava sozinho em casa, havia preparado o almoço (meio saquinho de macarrão instantâneo e duas salsichas fritas) quando chegou aquele senhor de terno e gravata, bem alinhado, com a barba bem feita, cabelos cuidadosamente alinhados, com a ordem de despejo na mão. Claro, não pagava o aluguel, água e luz há muitos meses. Estava na rua agora. Ele tinha um pequeno prazo para se mudar, mas foi naquele dia mesmo para casa dos pais. Como esta já era pequena para os pais e o irmão que lá morava, sobrou para ele o sofá da sala e suas poucas coisas foram guardadas no quartinho de ferramentas e outras bugigangas.</p>
<p>Por sorte, lendo o jornal que seu pai comprara, nas páginas de empregos havia um que não exigia experiência &#8211; davam treinamento &#8211; e ele foi ver. Estava contratado! Era para trabalhar basicamente as noites, teria uma parte do dia para fazer outras coisas. A vida começava a melhorar. Tinha um uniforme, uma roupa especial. No dia seguinte foi para o seu primeiro dia no emprego. Era numa casa, em uma festinha de criança. O resto do grupo já estava lá. Ele vestiu sua roupa, passou a maquilagem e foi trabalhar. Era o assistente, o que estava lá para levar as tortas na cara, cair nas brincadeiras todas que o “astro” do show fazia.</p>
<p>Depois de tudo o que passou por esses tempos, teria de fazer os outros rirem com as trapalhadas e situações embaraçosas que se metia ali no palquinho da festa.</p>
<p>A arte imita a vida, mas não importa, um palhaço é sempre um palhaço.</p>
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		<title>O porteiro</title>
		<link>http://blogjunto.com/hebdomadario/2008/03/23/o-porteiro/</link>
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		<pubDate>Sun, 23 Mar 2008 13:18:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Mensagens]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Morte]]></category>
		<category><![CDATA[Porteiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Tenório não suportava ser porteiro. Não havia estudado por pura preguiça e, por fim, foi o que conseguiu. Mas mal começou o trabalho já o estava amaldiçoando. Jurou que não iria ser porteiro por muito tempo. 

(...)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><strong>O PORTEIRO</strong></p>
<p style="text-align: right"><em><strong>Declev Reynier</strong></em></p>
<p>Tenório não suportava ser porteiro. Não havia estudado por pura preguiça e, por fim, foi o que conseguiu. Mas mal começou o trabalho já o estava amaldiçoando. Jurou que não iria ser porteiro por muito tempo. Disse que preferia roubar ou até mesmo matar se preciso, mas não seria porteiro.</p>
<p>Foi o que fez. À noite estava trabalhando – ou dormindo no trabalho – e durante o dia ia roubar. Assaltava velhinhos e crianças, pois eram mais fáceis. Não precisava nem usar a arma. Em poucas semanas não agüentou e largou o emprego, já estava ganhando mais com os roubos. “Trabalhava” agora à noite. Assaltos à mão armada, assaltos a residências, matou pessoas, virou bandido perigoso, procurado pela polícia.</p>
<p>Um dia, num cerco policial, foi surpreendido, trocou tiros com a polícia e acabou baleado. Quase morrendo sentiu uma ponta de arrependimento, mas, como que quisesse justificar-se pensou: “Não! Eu não poderia ser porteiro!”. Morreu.</p>
<p>Do outro lado, foi recebido por espíritos que vieram em seu socorro. O mais iluminado, que chegava a cegar-lhe, disse:</p>
<p>&#8211; Tenório, temos um serviço para você cumprir.</p>
<p>&#8211; Sim, meu Senhor?!? &#8211; Pensava estar falando diretamente com Deus; estava chorando.</p>
<p>&#8211; Serás, durante dois séculos, o porteiro da casa de reabilitação das almas desvirtuadas.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Por ser de cá</title>
		<link>http://blogjunto.com/hebdomadario/2008/03/20/por-ser-de-ca/</link>
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		<pubDate>Thu, 20 Mar 2008 15:53:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Inspiração]]></category>

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		<description><![CDATA[Por ser de cá, da cidade, sou como todos, e não sou como ninguém.

Tenho medo de andar às ruas, mas ando.

Detesto os programas de televisão, mas vejo.

(...)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><strong>POR SER DE CÁ</strong></p>
<p style="text-align: right"><em><strong>Declev Reynier</strong></em></p>
<p style="text-align: right">[Baseado em <a href="http://letras.terra.com.br/dominguinhos/45558/" target="_blank">Lamento Sertanejo</a>]</p>
<p style="text-align: right">
<p>Por ser de cá, da cidade, sou como todos, e não sou como ninguém.</p>
<p>Tenho medo de andar às ruas, mas ando.</p>
<p>Detesto os programas de televisão, mas vejo.</p>
<p>Acho um tormento ir à praia num domingo de sol no verão, mas vou.</p>
<p>Todos os supérfluos estão pela hora da morte, sei que nunca vou usá-los, mas compro.</p>
<p>Odeio essas músicas fabricadas em série que estouram em todos os lugares, mas escuto.</p>
<p>Sei que é difícil namorar sério, com essa cultura do “fica daqui, fico dali”, (além de muito caro), mas namoro.</p>
<p>Não entendo bulhufas da arte moderna, mas visito.</p>
<p>Levo surras no computador, mas uso.</p>
<p>Tenho consciência do stress a que são acometidos os trabalhadores que saem e voltam todos os dias na hora do “rush” para ganhar um salário ridículo, mas trabalho.</p>
<p>Pode não haver a marca de cerveja que gosto, estar quente e não ter cadeira para sentar, mas bebo.</p>
<p>Doce engorda, mas como.</p>
<p>Legumes e verduras são saudáveis, mas não como.</p>
<p>As praias estão poluídas, mas caio.</p>
<p>As roupas da moda são ridículas, mas uso.</p>
<p>A vida no interior é uma beleza, calma, serena, natural, gostosa&#8230; mas por ser de cá, daqui não saio!</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Porque os pobres são cada vez mais feios e os ricos cada vez mais bonitos</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Nov 2007 01:28:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>

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		<description><![CDATA[ Estudo da seleção sócio-natural na espécie humana  Feio e bonito, horroroso e lindo são conceitos relativos, isto é, não são absolutos (lógico). O que para mim é bonito, não será necessariamente para todas as outras pessoas. Alguém que eu ache feio você mesmo poderá achar bonito, lindo, sei lá; afinal &#8220;a beleza está nos olhos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><font size="2"> <strong><u>Estudo da seleção sócio-natural na espécie humana</u></strong></font><font size="2"> </font></p>
<p><font size="2">Feio e bonito, horroroso e lindo são conceitos relativos, isto é, não são absolutos (lógico). O que para mim é bonito, não será necessariamente para todas as outras pessoas. Alguém que eu ache feio você mesmo poderá achar bonito, lindo, sei lá; afinal &#8220;a beleza está nos olhos de quem vê&#8221; e &#8220;quem ama o feio bonito lhe parece&#8221;.</font><font size="2"> </font><font size="2">Nós, seres humanos, utilizamos também outros critérios para caracterizar nossos semelhantes, como a inteligência, o charme, a elegância, a simpatia, o nível social, entre outros. Nós damos maior ou menor valor a essas características, de acordo com nossos próprios valores, sendo essas virtudes pessoais realmente importantes.</font></p>
<p><font size="2"><span id="more-85"></span>Porém, aqui usaremos apenas duas variáveis: a beleza e o nível social, que são as duas realmente relevantes neste estudo. Devemos apenas ter em mente que há exceções, ou seja, uma pessoa que alguém (que pode ser eu, ou você mesmo) ache bonita, pode passar a não ser interessante se for sem graça, burra, brega, antipática e por aí vai. Mas, dentro do fator &#8220;tempo&#8221;, estas variantes se anulam.</font><font size="2"> </font><font size="2">Vamos considerar que beleza é a faculdade de uma pessoa atrair outras pelo aspecto físico. Já dissemos que beleza é um conceito relativo, porém, sem o julgamento pessoal e as exceções, você há de convir que há pessoas bonitas e pessoas feias. Há aquelas pessoas que, independente de etnia ou nível social, são consideradas bonitas por todos. E há aquelas que, infelizmente temos que dizê-lo, são consideradas feias por todos. E temos também o meio termo, as que uma parte das pessoas acha bonita e outra parte acha feia; as chamadas &#8220;mais ou menos&#8221;.</font><font size="2">Considerando essas três categorias de pessoas, podemos fazer uma análise do que está acontecendo na raça humana, em função do nível social, através das gerações. Quanto ao nível social, vamos considerar apenas dois: uma &#8220;Classe Pobre&#8221; e uma &#8220;Classe Rica&#8221;, que tem boas condições financeiras, envolvendo a média e a rica, pois os efeitos da seleção sócio-natural nestas duas é quase igual, sendo apenas um pouco menos notada na classe média. Podemos desconsiderar porém, esta pequena diferença, porque no fim os resultados são os mesmos.</font><font size="2">Podemos dizer, então, que a cada geração os ricos ficam mais bonitos e os pobres ficam mais feios (no conceito geral apresentado aqui). Polêmico? Vejamos.</font><font size="2">É um resultado lógico da desigualdade. Para começar: quem tem dinheiro se alimenta melhor, nutre-se das vitaminas e proteínas necessárias ao corpo e à mente e fica mais vistoso, mais rechonchudo, com uma aparência melhor e mais saudável. Uma pessoa que tem dinheiro pode ainda pagar um bom tratamento dentário, um bom cabeleireiro, um bom médico, fazer regimes especiais e outras coisas que a deixarão com uma boa aparência.</p>
<p>Não se trata de Lamarkismo, mas como dissemos, de seleção sócio-natural. O &#8220;sócio&#8221; muda tudo. Estes aspectos se mostram determinantes na dinâmica reprodutiva humana através das gerações.</p>
<p>Vamos trabalhar com situações envolvendo algumas pessoas e os resultados, sem levar em conta o sexo (pois é irrelevante), apenas quando citarmos.</p>
<p>Consideremos uma pessoa que seja da Classe Rica, conforme explicitamos. E vamos considerar também que esta pessoa seja bonita, dentro dos parâmetros apresentados. Temos aí a primeira variável: Bonita-Rica. Lembre-se, não estamos considerando o jeito dela ser (simpática, brega, esnobe&#8230;), isto agora não importa. Esta pessoa já é bonita e ainda pode se tratar bem. Pode comer, fazer exercícios, entrar em academias, usar cremes, ir ao cabeleireiro, médicos, dentistas, etc. Vai ficar ainda mais bonito, ou bonita. Pode também se vestir bem e, é claro, as roupas influenciam.</p>
<p>O fato dela poder ficar mais bonita se tratando bem não será passado aos seu descendentes, mas esta pessoa tem grandes possibilidades de ter filhos bonitos, porque tem grandes possibilidades de encontrar parceiros bonitos. Por quê? Porque ela certamente vai atrair pessoas também bonitas e pode &#8220;dispensar&#8221; as feias. E como seu núcleo de amizades será de pessoas que também têm dinheiro, o mais provável é que este parceiro também seja rico.</p>
<p>Não estamos considerando aqui as exceções – como dissemos, através do tempo as exceções não influenciam o resultado. Além disso, na maioria esmagadora das vezes não acontece de esta pessoa ter filhos com pessoas feias ou pobres, sendo este dado desprezível em termos de evolução.</p>
<p>Então, esta pessoa, neste casal, (Bonita-Rica &amp; Bonita-Rica) terá grandes chances de ter descendentes tão ou até mais bonitos. E nas exceções, se quiserem considerar, o mais provável se o seu parceiro for pobre, é que seja um pobre bonito (Bonito-Rico # Bonito-Pobre), ficando então para último lugar, para as exceções, em possibilidades irrisórias, um parceiro Feio-Pobre.</p>
<p>Vamos considerar agora uma pessoa também rica, mas feia – uma Feia-Rica. Não precisa ser nem do tipo &#8220;mais ou menos&#8221; que falamos no início; pode ser até das mais feias. Daquelas que seja consenso em sua feiúra. Essa pessoa, embora feia, pode atrair parceiros mais bonitos que ela. Por quê? Porque tem dinheiro! É chato, é horrível, mas isso conta na nossa sociedade.</p>
<p>O fato é que esta pessoa poderá comer bem, tendo uma boa aparência; poderá se vestir bem, influenciando no julgamento exterior das pessoas. Poderá freqüentar academias que, junto com uma boa alimentação, o deixará com um corpo mais bonito, forte, mais vistoso, chamando mais atenção e assim, &#8220;menos feio&#8221;. No caso das mulheres poderá ser usado o recurso da maquiagem. Sabemos que a maquiagem pode fazer milagres. Ela ficará &#8220;menos feia&#8221;. Ambos os sexos poderão usar ainda um outro recurso que é a plástica – e esse tipo de &#8220;embelezamento&#8221; está definitivamente fora do alcance de pessoas sem renda. Ficando &#8220;menos feios&#8221; por meio de todos estes recursos, aumentam consideravelmente as chances de encontrarem parceiros mais bonitos. Não importa a situação financeira de seu parceiro, mas o fato é que seus descendentes serão mais bonitos, porque terão uma parte da carga genética de seu parceiro, que neste caso, é bonito (Feio-Rico &amp; Bonito-Rico ou Feio-Rico &amp; Bonito-Pobre). É importante frisar que a primeira alternativa aqui também é a mais provável, pelo seu círculo de amizades. Portanto, as pessoas que tem uma boa situação financeira, independente do sexo, tem grandes chances de gerarem descendentes mais bonitos que os próprios &#8211; no sentido geral e estético – através das gerações.</p>
<p>Vamos analisar agora o outro lado, o das pessoas pobres. Essa pessoa, em termos gerais, não se alimenta direito, tem maiores chances de sempre se preocupar com a sobrevivência, não dorme direito, não se exercita em academias, não tem chances de cons estudos, enfim, não pode cuidar direito nem do corpo nem da mente. No caso de ser mulher não tem todos os bons recursos de maquiagem, cabeleireiro, essas coisas e, embora possa ser vaidosa, pela própria preocupação em sobreviver, acaba não podendo investir demais com a aparência.</p>
<p>Se trabalha, em sua maioria é um trabalho que exige horas e horas de viagens fatigantes em ônibus ou outros transportes superlotados, além de serem trabalhos cansativos, que exigem força braçal. Ou seja, levam uma vida extremamente dura, o que não leva a uma boa aparência. Consideremos primeiramente o Feio-Pobre. Com tudo o que dissemos depreende-se que não pode &#8220;melhorar&#8221; a sua aparência. Junte aisso o seu círculo de convivência também de pobres e teremos um resultado em que dificilmente esta pessoa irá ter filhos com pessoas ricas; e também dificilmente, com pessoas bonitas.</p>
<p>Há, então, uma enorme probabilidade de obterem descendentes com pessoas feias e pobres (Feio-Pobre &amp; Feio-Pobre). Seus filhos serão então tão feios, ou até mais feios, dependendo de seu parceiro, dando continuidade ao seu padrão de feiúra.</p>
<p>As situações que já descrevemos são praticamente estáveis, com poucas exceções. Talvez então, a situação mais polêmica seja a do Pobre-Bonito. Não podemos dizer que uma pessoa pobre não seja vaidosa ou que não possa ter cuidado com seu corpo e sua aparência, mas, como vimos, com certeza não tem as mesmas chances e recursos que as pessoas ricas. Desta forma, ela não terá condições de mostrar toda a sua beleza, ou de realçá-la, sendo, mesmo assim, uma pessoa bonita.</p>
<p>Ela conviverá com pessoas da mesma condição social e por ser bonita, poderá ter maiores chances de atrair pessoas também bonitas. Seus descendentes serão então, tão ou mais bonitos do que ela. Considerando seu círculo de convivência, seu parceiro terá grandes chances de ser também pobre. Porém, uma pessoa Pobre-Bonita, em comparação com o Pobre-Feio, tem maiores chances de casar com uma pessoa rica, pois sendo bonita, irá chamar mais atenção. Casando-se com uma pessoa rica, ela passa automaticamente a ser Rica-Bonita. O seu parceiro rico pode ser feio ou bonito. Se for feio, a pessoa ex-pobre irá &#8220;ajudar&#8221; a melhorar a aparência dos descendentes de seu parceiro. Se seu parceiro for bonito, sua classe continuará a gerar descendentes bonitos.</p>
<p>Todos os exemplos apresentados têm as suas exceções, mas como dito, estas não têm efeitos através das gerações. Somando-se todos os fatores analisados podemos concluir que a classe rica, de geração à geração, está ficando cada vez mais bonita, e a classe pobre cada vez mais feia.</p>
<p>Mesmo que você não goste do que acabo de dizer, sinto muito, há de concordar.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p><strong>Na mesma linha:</strong></p>
<p>a) <a target="_blank" href="http://blog.estadao.com.br/blog/josemarcio/?title=title_181&amp;more=1&amp;c=1&amp;tb=1&amp;pb=1">O risco da disputa de classes</a></p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p></font></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Entrevista com o louco</title>
		<link>http://blogjunto.com/hebdomadario/2007/11/04/entrevista-com-o-louco/</link>
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		<pubDate>Mon, 05 Nov 2007 01:49:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Louco]]></category>

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		<description><![CDATA[Hãn? Meu nome? Não sei... não lembro mais...

(...)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center" align="justify"><strong>ENTREVISTA COM O LOUCO</strong></p>
<p style="text-align: right" align="justify"><em><strong>Declev Reynier</strong></em></p>
<p align="justify">Hãn? Meu nome? Não sei&#8230; não lembro mais&#8230;</p>
<p align="justify">Hãn? Minha casa? É&#8230; o hospício não é tão ruim. Aqui me sinto protegido; é sossegado, tirando os berros casuais de alguns colegas.</p>
<p align="justify">Hãn? Sim, sim, sou bem tratado.</p>
<p align="justify">Hãn? Visitas? De vez em quando recebemos as visitas de algum anjo. No gramado há alguns unicórnios e duendes, mas não são todos que conseguem vê-los.</p>
<p align="justify">Hãn? Solidão? Não, não&#8230; eu tenho um bichinho de estimação, o <em>Gotchgotch</em>. Ele não é daqui, é de outro planeta; caiu aqui no terreno numa cápsula espacial.</p>
<p align="justify">Hãn? Ele come <em>ramiscabrini</em> com molho <em>menesquênsis</em>.</p>
<p align="justify">Hãn? Quando cheguei aqui? Há alguns milênios, acho&#8230;</p>
<p align="justify">Hãn? Porquê vim para cá? Não sei, acho que me achavam normal demais para ficar no mundo louco lá de fora.</p>
<p align="justify">Hãn? As últimas coisas de que me lembro antes de vir prá cá? Não me lembro de muitas coisas não&#8230; lembro de uma mulher&#8230; e lembro de que eu falei um dia: &#8220;nem que seja a última coisa que eu faça, eu ainda vou compreender essa mulher!&#8221;&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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