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	<title>Hebdomadário Cultural &#187; Humor</title>
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	<description>Unindo minha cara de pau com serviço cultural</description>
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		<title>Porque os pobres são cada vez mais feios e os ricos cada vez mais bonitos</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Nov 2007 01:28:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>

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		<description><![CDATA[ Estudo da seleção sócio-natural na espécie humana  Feio e bonito, horroroso e lindo são conceitos relativos, isto é, não são absolutos (lógico). O que para mim é bonito, não será necessariamente para todas as outras pessoas. Alguém que eu ache feio você mesmo poderá achar bonito, lindo, sei lá; afinal &#8220;a beleza está nos olhos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><font size="2"> <strong><u>Estudo da seleção sócio-natural na espécie humana</u></strong></font><font size="2"> </font></p>
<p><font size="2">Feio e bonito, horroroso e lindo são conceitos relativos, isto é, não são absolutos (lógico). O que para mim é bonito, não será necessariamente para todas as outras pessoas. Alguém que eu ache feio você mesmo poderá achar bonito, lindo, sei lá; afinal &#8220;a beleza está nos olhos de quem vê&#8221; e &#8220;quem ama o feio bonito lhe parece&#8221;.</font><font size="2"> </font><font size="2">Nós, seres humanos, utilizamos também outros critérios para caracterizar nossos semelhantes, como a inteligência, o charme, a elegância, a simpatia, o nível social, entre outros. Nós damos maior ou menor valor a essas características, de acordo com nossos próprios valores, sendo essas virtudes pessoais realmente importantes.</font></p>
<p><font size="2"><span id="more-85"></span>Porém, aqui usaremos apenas duas variáveis: a beleza e o nível social, que são as duas realmente relevantes neste estudo. Devemos apenas ter em mente que há exceções, ou seja, uma pessoa que alguém (que pode ser eu, ou você mesmo) ache bonita, pode passar a não ser interessante se for sem graça, burra, brega, antipática e por aí vai. Mas, dentro do fator &#8220;tempo&#8221;, estas variantes se anulam.</font><font size="2"> </font><font size="2">Vamos considerar que beleza é a faculdade de uma pessoa atrair outras pelo aspecto físico. Já dissemos que beleza é um conceito relativo, porém, sem o julgamento pessoal e as exceções, você há de convir que há pessoas bonitas e pessoas feias. Há aquelas pessoas que, independente de etnia ou nível social, são consideradas bonitas por todos. E há aquelas que, infelizmente temos que dizê-lo, são consideradas feias por todos. E temos também o meio termo, as que uma parte das pessoas acha bonita e outra parte acha feia; as chamadas &#8220;mais ou menos&#8221;.</font><font size="2">Considerando essas três categorias de pessoas, podemos fazer uma análise do que está acontecendo na raça humana, em função do nível social, através das gerações. Quanto ao nível social, vamos considerar apenas dois: uma &#8220;Classe Pobre&#8221; e uma &#8220;Classe Rica&#8221;, que tem boas condições financeiras, envolvendo a média e a rica, pois os efeitos da seleção sócio-natural nestas duas é quase igual, sendo apenas um pouco menos notada na classe média. Podemos desconsiderar porém, esta pequena diferença, porque no fim os resultados são os mesmos.</font><font size="2">Podemos dizer, então, que a cada geração os ricos ficam mais bonitos e os pobres ficam mais feios (no conceito geral apresentado aqui). Polêmico? Vejamos.</font><font size="2">É um resultado lógico da desigualdade. Para começar: quem tem dinheiro se alimenta melhor, nutre-se das vitaminas e proteínas necessárias ao corpo e à mente e fica mais vistoso, mais rechonchudo, com uma aparência melhor e mais saudável. Uma pessoa que tem dinheiro pode ainda pagar um bom tratamento dentário, um bom cabeleireiro, um bom médico, fazer regimes especiais e outras coisas que a deixarão com uma boa aparência.</p>
<p>Não se trata de Lamarkismo, mas como dissemos, de seleção sócio-natural. O &#8220;sócio&#8221; muda tudo. Estes aspectos se mostram determinantes na dinâmica reprodutiva humana através das gerações.</p>
<p>Vamos trabalhar com situações envolvendo algumas pessoas e os resultados, sem levar em conta o sexo (pois é irrelevante), apenas quando citarmos.</p>
<p>Consideremos uma pessoa que seja da Classe Rica, conforme explicitamos. E vamos considerar também que esta pessoa seja bonita, dentro dos parâmetros apresentados. Temos aí a primeira variável: Bonita-Rica. Lembre-se, não estamos considerando o jeito dela ser (simpática, brega, esnobe&#8230;), isto agora não importa. Esta pessoa já é bonita e ainda pode se tratar bem. Pode comer, fazer exercícios, entrar em academias, usar cremes, ir ao cabeleireiro, médicos, dentistas, etc. Vai ficar ainda mais bonito, ou bonita. Pode também se vestir bem e, é claro, as roupas influenciam.</p>
<p>O fato dela poder ficar mais bonita se tratando bem não será passado aos seu descendentes, mas esta pessoa tem grandes possibilidades de ter filhos bonitos, porque tem grandes possibilidades de encontrar parceiros bonitos. Por quê? Porque ela certamente vai atrair pessoas também bonitas e pode &#8220;dispensar&#8221; as feias. E como seu núcleo de amizades será de pessoas que também têm dinheiro, o mais provável é que este parceiro também seja rico.</p>
<p>Não estamos considerando aqui as exceções – como dissemos, através do tempo as exceções não influenciam o resultado. Além disso, na maioria esmagadora das vezes não acontece de esta pessoa ter filhos com pessoas feias ou pobres, sendo este dado desprezível em termos de evolução.</p>
<p>Então, esta pessoa, neste casal, (Bonita-Rica &amp; Bonita-Rica) terá grandes chances de ter descendentes tão ou até mais bonitos. E nas exceções, se quiserem considerar, o mais provável se o seu parceiro for pobre, é que seja um pobre bonito (Bonito-Rico # Bonito-Pobre), ficando então para último lugar, para as exceções, em possibilidades irrisórias, um parceiro Feio-Pobre.</p>
<p>Vamos considerar agora uma pessoa também rica, mas feia – uma Feia-Rica. Não precisa ser nem do tipo &#8220;mais ou menos&#8221; que falamos no início; pode ser até das mais feias. Daquelas que seja consenso em sua feiúra. Essa pessoa, embora feia, pode atrair parceiros mais bonitos que ela. Por quê? Porque tem dinheiro! É chato, é horrível, mas isso conta na nossa sociedade.</p>
<p>O fato é que esta pessoa poderá comer bem, tendo uma boa aparência; poderá se vestir bem, influenciando no julgamento exterior das pessoas. Poderá freqüentar academias que, junto com uma boa alimentação, o deixará com um corpo mais bonito, forte, mais vistoso, chamando mais atenção e assim, &#8220;menos feio&#8221;. No caso das mulheres poderá ser usado o recurso da maquiagem. Sabemos que a maquiagem pode fazer milagres. Ela ficará &#8220;menos feia&#8221;. Ambos os sexos poderão usar ainda um outro recurso que é a plástica – e esse tipo de &#8220;embelezamento&#8221; está definitivamente fora do alcance de pessoas sem renda. Ficando &#8220;menos feios&#8221; por meio de todos estes recursos, aumentam consideravelmente as chances de encontrarem parceiros mais bonitos. Não importa a situação financeira de seu parceiro, mas o fato é que seus descendentes serão mais bonitos, porque terão uma parte da carga genética de seu parceiro, que neste caso, é bonito (Feio-Rico &amp; Bonito-Rico ou Feio-Rico &amp; Bonito-Pobre). É importante frisar que a primeira alternativa aqui também é a mais provável, pelo seu círculo de amizades. Portanto, as pessoas que tem uma boa situação financeira, independente do sexo, tem grandes chances de gerarem descendentes mais bonitos que os próprios &#8211; no sentido geral e estético – através das gerações.</p>
<p>Vamos analisar agora o outro lado, o das pessoas pobres. Essa pessoa, em termos gerais, não se alimenta direito, tem maiores chances de sempre se preocupar com a sobrevivência, não dorme direito, não se exercita em academias, não tem chances de cons estudos, enfim, não pode cuidar direito nem do corpo nem da mente. No caso de ser mulher não tem todos os bons recursos de maquiagem, cabeleireiro, essas coisas e, embora possa ser vaidosa, pela própria preocupação em sobreviver, acaba não podendo investir demais com a aparência.</p>
<p>Se trabalha, em sua maioria é um trabalho que exige horas e horas de viagens fatigantes em ônibus ou outros transportes superlotados, além de serem trabalhos cansativos, que exigem força braçal. Ou seja, levam uma vida extremamente dura, o que não leva a uma boa aparência. Consideremos primeiramente o Feio-Pobre. Com tudo o que dissemos depreende-se que não pode &#8220;melhorar&#8221; a sua aparência. Junte aisso o seu círculo de convivência também de pobres e teremos um resultado em que dificilmente esta pessoa irá ter filhos com pessoas ricas; e também dificilmente, com pessoas bonitas.</p>
<p>Há, então, uma enorme probabilidade de obterem descendentes com pessoas feias e pobres (Feio-Pobre &amp; Feio-Pobre). Seus filhos serão então tão feios, ou até mais feios, dependendo de seu parceiro, dando continuidade ao seu padrão de feiúra.</p>
<p>As situações que já descrevemos são praticamente estáveis, com poucas exceções. Talvez então, a situação mais polêmica seja a do Pobre-Bonito. Não podemos dizer que uma pessoa pobre não seja vaidosa ou que não possa ter cuidado com seu corpo e sua aparência, mas, como vimos, com certeza não tem as mesmas chances e recursos que as pessoas ricas. Desta forma, ela não terá condições de mostrar toda a sua beleza, ou de realçá-la, sendo, mesmo assim, uma pessoa bonita.</p>
<p>Ela conviverá com pessoas da mesma condição social e por ser bonita, poderá ter maiores chances de atrair pessoas também bonitas. Seus descendentes serão então, tão ou mais bonitos do que ela. Considerando seu círculo de convivência, seu parceiro terá grandes chances de ser também pobre. Porém, uma pessoa Pobre-Bonita, em comparação com o Pobre-Feio, tem maiores chances de casar com uma pessoa rica, pois sendo bonita, irá chamar mais atenção. Casando-se com uma pessoa rica, ela passa automaticamente a ser Rica-Bonita. O seu parceiro rico pode ser feio ou bonito. Se for feio, a pessoa ex-pobre irá &#8220;ajudar&#8221; a melhorar a aparência dos descendentes de seu parceiro. Se seu parceiro for bonito, sua classe continuará a gerar descendentes bonitos.</p>
<p>Todos os exemplos apresentados têm as suas exceções, mas como dito, estas não têm efeitos através das gerações. Somando-se todos os fatores analisados podemos concluir que a classe rica, de geração à geração, está ficando cada vez mais bonita, e a classe pobre cada vez mais feia.</p>
<p>Mesmo que você não goste do que acabo de dizer, sinto muito, há de concordar.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p><strong>Na mesma linha:</strong></p>
<p>a) <a target="_blank" href="http://blog.estadao.com.br/blog/josemarcio/?title=title_181&amp;more=1&amp;c=1&amp;tb=1&amp;pb=1">O risco da disputa de classes</a></p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p></font></p>
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		<title>Entrevista com o louco</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Nov 2007 01:49:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>

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		<description><![CDATA[Hãn? Meu nome? Não sei&#8230; não lembro mais&#8230; Hãn? Minha casa? É&#8230; o hospício não é tão ruim. Aqui me sinto protegido; é sossegado, tirando os berros casuais de alguns colegas. Hãn? Sim, sim, sou bem tratado. Hãn? Visitas? De vez em quando recebemos as visitas de algum anjo. No gramado há alguns unicórnios e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Hãn? Meu nome? Não sei&#8230; não lembro mais&#8230;</p>
<p align="justify">Hãn? Minha casa? É&#8230; o hospício não é tão ruim. Aqui me sinto protegido; é sossegado, tirando os berros casuais de alguns colegas.</p>
<p align="justify">Hãn? Sim, sim, sou bem tratado.</p>
<p align="justify">Hãn? Visitas? De vez em quando recebemos as visitas de algum anjo. No gramado há alguns unicórnios e duendes, mas não são todos que conseguem vê-los.</p>
<p align="justify">Hãn? Solidão? Não, não&#8230; eu tenho um bichinho de estimação, o <em>Gotchgotch</em>. Ele não é daqui, é de outro planeta; caiu aqui no terreno numa cápsula espacial.</p>
<p align="justify">Hãn? Ele come <em>ramiscabrini</em> com molho <em>menesquênsis</em>.</p>
<p align="justify">Hãn? Quando cheguei aqui? Há alguns milênios, acho&#8230;</p>
<p align="justify">Hãn? Porquê vim para cá? Não sei, acho que me achavam normal demais para ficar no mundo louco lá de fora.</p>
<p align="justify">Hãn? As últimas coisas de que me lembro antes de vir prá cá? Não me lembro de muitas coisas não&#8230; lembro de uma mulher&#8230; e lembro de que eu falei um dia: &#8220;nem que seja a última coisa que eu faça, eu ainda vou compreender essa mulher!&#8221;&#8230;</p>
<p align="justify">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p align="justify">Na mesma linha:</p>
<p align="justify">a) <a href="http://www.fiapodejaca.com.br/2007/11/03/a-entrevista/">http://www.fiapodejaca.com.br/2007/11/03/a-entrevista/</a></p>
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		<title>Rato morto</title>
		<link>http://blogjunto.com/hebdomadario/2007/10/27/rato-morto/</link>
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		<pubDate>Sat, 27 Oct 2007 23:01:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ensaios fotográficos]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>

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		<description><![CDATA[Sei que esta imagem é muito forte para nós, que gostamos da tecnologia e do computador. Internautas, preparem-se!! Mas a missão de quem ama a fotografia e as artes em geral é esta: mostrar a realidade. Vejam as fotos de um rato morto que tirei numa cooperativa de catadores de materiais reciclados&#8230;                                                                 ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sei que esta imagem é muito forte para nós, que gostamos da tecnologia e do computador. Internautas, preparem-se!! Mas a missão de quem ama a fotografia e as artes em geral é esta: mostrar a realidade. Vejam as fotos de um rato morto que tirei numa cooperativa de catadores de materiais reciclados&#8230;                   </p>
<p>                                             </p>
<p><a target="_blank" href="http://blogjunto.com/hebdomadario/files/2007/10/rato-morto-01-10-07-1.jpg"><img align="baseline" src="http://blogjunto.com/hebdomadario/files/2007/10/rato-morto-01-10-07-1-150x150.jpg" alt="Rato morto" /></a></p>
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		<title>Como conquistar uma mulher</title>
		<link>http://blogjunto.com/hebdomadario/2007/10/18/como-conquistar-uma-mulher/</link>
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		<pubDate>Thu, 18 Oct 2007 21:19:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>

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		<description><![CDATA[Após 34 anos de profundas análises, pesquisas, perguntas, experiências próprias, filmes assistidos e outras formas de recolher as mais variadas e confiáveis informações, acho que talvez, quem sabe, quiçá eu tenha entendido como agradar e conquistar uma mulher – e para sempre! Afinal, nada pode ser mais simples que a alma feminina&#8230; Basta que você [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Após 34 anos de profundas análises, pesquisas, perguntas, experiências próprias, filmes assistidos e outras formas de recolher as mais variadas e confiáveis informações, acho que talvez, quem sabe, quiçá eu tenha entendido como agradar e conquistar uma mulher – e para sempre!</p>
<p>Afinal, nada pode ser mais simples que a alma feminina&#8230;<br />
<span id="more-48"></span><br />
Basta que você seja bonito como o Rodrigo Santoro (ou Brad Pitt, se preferir&#8230;), engraçado como Os Normais, de alma poética como Cyrano de Bergerac, bom amante como Don Juan, rico como o sultão de Brunei, que você lhe faça todos os desejos como o Sr. Bovary, que lhe conquiste todos os dias como se fosse a primeira vez, que faça amor bem carinhoso quando ela assim o desejar e faça sexo selvagem quando ela assim o quiser – e que o saiba sem perguntar!, que a compre flores todos os dias, adore a sogra, se dê bem com o sogro, com os cunhados e que nunca, absolutamente nunca dê razão à sua própria mãe em detrimento dela, que a acompanhe no chópin feliz da vida e sorrindo, que a deixe escolher suas roupas (as suas e as dela), que você saiba cozinhar – e cozinhe! – e que lave a louça (pois elas detestam), que estenda as roupas para secar, que saiba instintivamente que o mau humor repentino é da TPM e que a entenda e conforte (ficando calado, seu verme!!!), que a deixe vendo TV à noite quando você tem que dormir cedo pra acordar super cedo e a desligue 10 minutos depois, quando ela já dormiu, que você pague todas as contas, que a leve para jantar no restaurante mais chique em um dia e a leve para um cachorro-quente no outro, que a leve para dançar tecno em um dia, para dançar forró no outro e valsa no outro, que a leve para ver o pôr do sol em um dia, à praia no outro e à montanha no outro – e as vezes tudo isso no mesmo dia! –, que mude o rumo do mundo por causa dela como o super-homem, que diga sempre sim, que finja (sem ela saber) aprender tudo com ela, que você ame as sandálias e as bolsas tanto quanto ela e ache natural comprar mais algumas porque “está precisando e não tem nenhuma” &#8211; embora haja um armário cheio delas, que você nunca, absolutamente nunca responda com sinceridade negativa à perguntas como “você acha que engordei?” ou “esta roupa está boa?”, que você sempre, absolutamente sempre repare quando ela for ao cabeleireiro e der aquele cortezinho de cabelo que faz toda a diferença, além das unhas das mãos e – principalmente – as dos pés, que você a espere se arrumar pacientemente, sorrindo, esperando-a dizer pelo menos cinco vezes “tô pronta” e, sabendo que ela não está, nunca dizer “então vamos”, que nunca ria de uma cena de filme ou novela em que ela esteja chorando, que converse sempre com ela, animadamente e ouvindo-a atentamente, mesmo você estando extremamente cansado, de mau humor ou com dor de cabeça, e que lembre dos mínimos detalhes da conversa no dia seguinte, na semana seguinte, no mês seguinte, no ano seguinte e sempre que ela perguntar “você lembra&#8230;?”, que jamais, absolutamente jamais esqueça de datas como o primeiro dia que se viram, a primeira vez que se beijaram, o primeiro cinema, o primeiro restaurante, a primeira vez, o início do namoro, do noivado, do casamento, do aniversário, do dia internacional das mulheres, do dia das mães (se ela ainda não é, por causa da mãe dela, não da sua!)&#8230;</p>
<p>Viu como é fácil? A mim só falta a parte do sultão de Brunei&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O Concurso</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Oct 2007 20:41:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escritos]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>

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		<description><![CDATA[Ele leu sobre o concurso em um jornal. Estavam dando bastante destaque, começou a sair até na televisão. Foi pela pindaíba que estava passando que resolveu se inscrever. - Ô Zé, cê tá lôco??? &#8211; perguntou estupefato um amigo &#8211; se inscrever no concurso de bunda substituta num grupo de pagode??? - É a crise [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ele leu sobre o concurso em um jornal. Estavam dando bastante destaque, começou a sair até na televisão. Foi pela pindaíba que estava passando que resolveu se inscrever.<br />
- Ô Zé, cê tá lôco??? &#8211; perguntou estupefato um amigo &#8211; se inscrever no concurso de bunda substituta num grupo de pagode???<br />
- É a crise né?, tenho que tentar de tudo &#8211; se limitou a dizer.<br />
Foi fazer a inscrição. A bunda (ops!), a moça que estava recebendo as fichas das candidatas quase teve um troço:<br />
- Sr. José&#8230; o senhor não pode se inscrever!<br />
- E porque não?<br />
- O concurso é para escolher a bunda mais bonita que dança mais gostoso para fazer parte do grupo!<br />
- Eu sei&#8230; mas, em primeiro lugar, considero que tenho uma bunda bonita e, depois, dançar eu já tenho prática: dancei no emprego, dancei na poupança, dancei no casamento&#8230; e o regulamento não diz que homens não podem se inscrever!<br />
- É mesmo&#8230;<br />
Conseguiu se inscrever.<br />
Ele tinha muitos pêlos nas pernas e bunda, é verdade, mas resolveu que não iria raspar, só clarear com água oxigenada &#8211; É para dar charme &#8211; disse. Difícil foi achar uma roupa que coubesse&#8230;<br />
No dia da primeira eliminatória surpreendentemente ele arrasou! Ficou entre as vinte finalistas, dançou e rebolou como nenhuma outra. Na finalíssima foi mais arrasante ainda. Não teve para ninguém! Só viram a bunda dele. Conquistou o primeiro lugar. Quebrou um paradigma e saiu do palco chorando.<br />
No dia seguinte, como era de se esperar, saíram fotos suas (do traseiro, diga-se) em todos os jornais e revistas do país. Ficou famoso. Manchetes: “O Homem da Bunda mais Bonita do Brasil!”, “O Sucessor!”, “A Bunda que venceu!”&#8230;<br />
Aí começaram os reveses. Começaram a falar mal dele, dizendo que era burro, que não havia mais nada na cabeça além da bunda, colocaram frases mentirosas em sua boca, coisas horrorosas que só a imprensa e o povo unidos jamais serão vencidos são capazes de fazer. Começaram muitas mulheres a fazerem propostas indecentes, maliciosas, oferecendo dinheiro para irem com ele para cama, ligações anônimas no meio da noite com mulheres falando barbaridades obscenas&#8230; Não teve mais sossego!<br />
Até que não agüentou. Não seguiu a carreira artística. Desistiu.<br />
Não queria ser conhecido como apenas mais uma bundinha bonita da Música Popular Brasileira.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Como fazer letras de músicas</title>
		<link>http://blogjunto.com/hebdomadario/2007/10/16/como-fazer-letras-de-musicas/</link>
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		<pubDate>Wed, 17 Oct 2007 00:37:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Humor]]></category>

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		<description><![CDATA[Bom&#8230; sei lá né?, tem tanto letrista por aí ganhando dinheiro, que resolvi fazer também&#8230; Se alguém souber de alguém que possa me indicar alguém que tem alguma banda e queira musicar minhas letras, é só me avisar. Estou tentando vários ramos musicais. Nada de MPB, lógico, que isso não dá dinheiro. Não que eu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bom&#8230; sei lá né?, tem tanto letrista por aí ganhando dinheiro, que resolvi fazer também&#8230;</p>
<p>Se alguém souber de alguém que possa me indicar alguém que tem alguma banda e queira musicar minhas letras, é só me avisar.</p>
<p>Estou tentando vários ramos musicais. Nada de MPB, lógico, que isso não dá dinheiro. Não que eu seja mercenário, mas também tenho minhas contas, né? Afinal, não tive bolsa no mestrado!</p>
<p>Se alguém achar as letras muito difíceis, pode pedir que mando uma explicação.</p>
<p>Abaixo dos títulos tem o ritmo em que elas devem ser musicadas.</p>
<p>Aviso que a terceira, como deve ser, é meio pornográfica, senão não iria fazer sucesso. Quem se ressente, não leia&#8230;</p>
<p>Divirtam-se!<br />
<span id="more-21"></span></p>
<p><strong>TODO MUNDO COMIGO</strong><br />
(Axé miusique)</p>
<blockquote><p>Aê aê (bis)<br />
Todo mundo comigo<br />
Batendo palminha<br />
Eô eô (bis)<br />
Levante o braço!<br />
Tá bonito!<br />
Eô eô (bis)<br />
Tô louco por você<br />
Aê aê (bis)<br />
Tô louco tô<br />
Eô eô (bis)<br />
Tô louco por você<br />
Aê aê (bis)<br />
Tô louco tô<br />
Batendo palminha<br />
E saindo do chão<br />
Agora!<br />
VAI VAI VAI!!! (bis)</p></blockquote>
<p><strong>VOCÊ ME DEIXOU</strong><br />
(Pagode)</p>
<blockquote><p>Meu amor,<br />
&#8216;Cê me deixou<br />
E eu fiquei<br />
Sentindo dor ôôôô (bis)<br />
Meu amor,<br />
Por quê me deixou?<br />
Eu fiquei<br />
Sentindo dor ôôôô (bis)<br />
Não faz assim comigo<br />
Tô acostumado com seu amor<br />
Seu amorzinho<br />
É a melhor coisa do mundo<br />
Tô lá no fuuuuuuundo<br />
Sem seu amor ôôôôôôôô<br />
Meu amor<br />
&#8216;Cê me deixou<br />
E eu fiquei<br />
Sentindo dor ôôôô<br />
Ninguém faz<br />
Um amor<br />
Como você<br />
Oh meu amor ôôôô<br />
Seu amorzinho<br />
É a melhor coisa do mundo<br />
Tô lá no fuuuuuuuuundo<br />
Sem seu amor ôôôôôôôôô&#8230;</p></blockquote>
<p><strong>VOU TE METER</strong><br />
(Fanque)</p>
<blockquote><p>Vou te meter n&#8217;orelha<br />
Vou te meter nas boca<br />
Vou te meter n&#8217;ouvido<br />
Vou te meter uma rolha<br />
Vem vagabunda<br />
Vou te meter na pííííí<br />
Vou te meter nos olho<br />
Vou te meter narina<br />
Vou te meter na tcheca<br />
Vou te meter em cima<br />
Vem cachorra<br />
Vou te meter na chorra<br />
Vou te meter embaixo<br />
Vou te meter dos lado<br />
Vou te meter no pííííí<br />
Vou te meter aqui!<br />
Vem cadela<br />
Vou te meter nela</p></blockquote>
<p>Quanta besteira de novo&#8230; O pior é que tem gente que lê&#8230;</p>
<p>Quem quiser ter uma idéia de como é que canta as músicas (antes mesmo de alguém musicá-las) é só ouvir qualquer uma nos ritmos e adaptá-las.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Leila &#8211; a história mal contada</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Oct 2007 00:29:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>

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		<description><![CDATA[Ele parecia se divertir com aquilo. Sempre que tinha uma oportunidade não vacilava: tirava o vestido do armário, punha aquela velha peruca de guerra e lá ia ele. No princípio precisava beber. Não tinha coragem de sair de cara limpa. Depois, às vezes nem bebia. Se divertia até se acabar. Mexia com todos os homens. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ele parecia se divertir com aquilo.</p>
<p>Sempre que tinha uma oportunidade não vacilava: tirava o vestido do armário, punha aquela velha peruca de guerra e lá ia ele.</p>
<p>No princípio precisava beber. Não tinha coragem de sair de cara limpa. Depois, às vezes nem bebia. Se divertia até se acabar. Mexia com todos os homens. Dava beijinhos, pulava em cima dos carros, metia a cabeça nas janelas, desmunhecava a valer.</p>
<p>No final da farra ficava jogado num canto entre farrapos de vestido, a velha peruca e vômito. Era no carnaval, pré-carnaval, pós-carnaval, carnaval fora de época, semana santa, festas juninas, julinas, agostinas, ano novo, até nos aniversários dele e dos amigos.</p>
<p>No início a esposa acompanhava.</p>
<p>Se divertia, ia ao lado, queria ver se ele dava em cima das mulheres, mas os homens vestidos de mulheres é que davam em cima dela. E ela se divertia junto.</p>
<p>Depois começou a ficar cansativo e maçante. Ela já não gostava dessas farras - que ele não abria mão.</p>
<p>Brigavam, e ele ia mesmo só. Ela pensava que ele ficava com outras, sabia como eram essas brincadeiras, os homens se vestem de mulher para dar em cima das de verdade. Ela mesma já sentiu isso na pele. Ele jurou que não fazia isso. Ela não acreditou.</p>
<p>Brigaram feio, separaram, mas ele parece que não ligou muito, se vestia de mulher sempre que havia uma oportunidade.</p>
<p>Seu codinome começou a ficar conhecido: Leila. Gostava da Leila Diniz. Dizia que ficava parecido com ela quando colocava o biquíni. Com a diferença que sua barriga é de chopp.</p>
<p>Os amigos aos pouco se afastaram, não conseguiram seguir seus passos. Viajava quilômetros para participar de alguma festança onde havia um desses “desfiles”.</p>
<p>O cúmulo foi ele começar a freqüentar os barzinhos, aqueles em que a rapaziada fica toda do lado de fora sem gastar nada só se “azarando”, vestido de mulher.</p>
<p>Detalhe: cada noite com um vestido diferente. O pessoal começou a desconfiar, até os mais chegados. De tanto fazerem brincadeiras e piadinhas de mau gosto, ele se afastou dessas pessoas.</p>
<p>Não freqüenta mais estes lugares nem vai mais às festas onde todos brincam vestidos de mulher. Sumiu.</p>
<p>Alguns dizem que ele se magoou com a desconfiança dos amigos, outros juram que viram um travesti muito parecido com ele fazendo ponto perto da Praça Mauá&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O Carnaval</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Oct 2007 00:27:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Surreais]]></category>

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		<description><![CDATA[Dona Clotilde já está no escritório do Dr. Alaor. É uma hora da tarde de quarta-feira de cinzas. Veio cedo porque sabe que o patrão é criterioso nos horários e haverá uma reunião às duas horas. Para ela não houve problema de estar lá em plena quarta-feira de cinzas tão cedo; não gosta de carnaval, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dona Clotilde já está no escritório do Dr. Alaor. É uma hora da tarde de quarta-feira de cinzas. Veio cedo porque sabe que o patrão é criterioso nos horários e haverá uma reunião às duas horas. Para ela não houve problema de estar lá em plena quarta-feira de cinzas tão cedo; não gosta de carnaval, havia ido com mais algumas amigas da igreja para um retiro no sítio do pastor.</p>
<p>Seu Alaor chegou logo depois. Às 13h e 30 minutos adentra ele o escritório com uma roupa de árabe, a maleta em uma mão e a outra com o dedo em riste, subindo e descendo, cantando: “Ala-lá-ô ô ô ô ô ô ô , mas que calor ô ô ô ô ô ô&#8230;”. Dona Clotilde de olhos esbugalhadamente abertos e boca idem não conseguiu pronunciar palavra. Seu Alaor ao vê-la parou a cantoria, voltou à cara séria de costume e, em tom ríspido, perguntou: “Posso saber o que a senhora está fazendo aqui assim, fantasiada?”</p>
<p> Como? &#8211; foi só o que conseguiu dizer a, mais atônita ainda, Clotilde.</p>
<p>Por acaso a senhora pensa que ainda é carnaval? Trate de se recompor imediatamente!<br />
E entrou em sua sala, dançando e cantando, mas agora com passos firmes e cara fechada. Bateu a porta com força.</p>
<p>Durante cinco minutos lá ficou a dona Clotilde sentada e muda, de olhos e bocas como eu já disse que estavam, até que chegou o acessor para todos os assuntos externos (boy) e lhe tira do transe. Outro susto. O referido garoto está vestido de pirata, de tapa-olho, espada e tudo.</p>
<p>- Menino! Como é que você vem aqui assim?!? &#8211; quase caiu da cadeira.</p>
<p>- Assim como Cloclô? &#8211; ela não gosta dessas intimidades, e ele sabe disso &#8211; A senhora é que está com uma roupa esquisita, está fantasiada é?</p>
<p>- Como EU fantasiada?, você é que está!</p>
<p>- Hiii&#8230; endoidou&#8230; &#8211; pegou uma pilha de documentos que tinha que entregar e foi para a rua.</p>
<p>Mais uma vez a cena da dona Cloclô, ops!, desculpem, dona Clotilde estatelada na cadeira.<br />
Cinco minutos para as duas horas entra no escritório um grupo de homens vestidos de mulher. Seis ao todo. Entram cantando “Jingle bells, jingle bells, acabou o papel&#8230;” &#8211; não é música de carnaval, mas eles estão bêbados mesmo! &#8211; Dona Clotilde reconhece os acionistas que participarão da reunião.</p>
<p>- Temos uma reunião com o Dr. Alaor, por favor.</p>
<p>A essas alturas já não se surpreendeu tanto, mas continuou de olhos e bocas esbugalhadamente abertos.</p>
<p>- Sim senhor, ele os está aguardando, podem entrar.</p>
<p>- Que roupa estranha a sua, hein?!? &#8211; disse um deles antes de entrar.</p>
<p>Ela não agüentou. Deixou um bilhete em cima da mesa dizendo que estava passando mal e foi para casa. No caminho percebeu que todos, sem exceção, estavam fantasiados. Muitos estavam bêbados, jogavam confetes e serpentinas. Havia palhaços, odaliscas, reis e muitos outros. Estavam trabalhando normalmente, a não ser pelo fato de estarem fantasiados, bêbados e cantando marchinhas de carnaval. Camelôs, lojistas, motoristas de táxis e ônibus, até os guardas, todos estavam assim. “O que será que houve neste carnaval, alguma droga nova?”, pensou.</p>
<p>Chegando em casa tentou dormir para ver se acordava do sonho. Não conseguiu. Se olhou no espelho. Começou a achar-se esquisita, feia, sem graça. Abriu o armário. Achou todas as suas roupas muito estranhas. Foi até a penteadeira, desarrumou todo o cabelo, fez um penteado bem “tchan!”, pintou-se toda bem “cheguei!’, foi até o armário da filha, pegou roupas que ficaram bem justas, com as pernas e barriga de fora, pegou uma bolsinha, abriu a porta de casa e saiu, rodando a bolsinha, fantasiada de prostituta e cantando: “&#8230;mas que calor ô ô ô ô ô ô&#8230;”</p>
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		<title>Pequena fábula da criação do carnaval</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Oct 2007 00:25:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Fábulas]]></category>

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		<description><![CDATA[O povo andava triste. Estavam todos cabisbaixos, de rostos cansados, sem ânimo. O rei andava preocupado. Queria seu povo feliz, ele precisava disso, pois assim seria mais fácil manipulá-lo. Poderia aumentar impostos, criar alguns novos, viajar a vontade, roubar, fazer leis absurdas e outras coisas deste tipo. Precisava deixar o povo feliz apesar de todos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O povo andava triste. Estavam todos cabisbaixos, de rostos cansados, sem ânimo. O rei andava preocupado. Queria seu povo feliz, ele precisava disso, pois assim seria mais fácil manipulá-lo. Poderia aumentar impostos, criar alguns novos, viajar a vontade, roubar, fazer leis absurdas e outras coisas deste tipo. Precisava deixar o povo feliz apesar de todos os absurdos que ele o faz sofrer.</p>
<p>Como parecia uma missão quase impossível, o rei contratou os melhores especialistas em diversas áreas de todo o mundo: psicólogos, músicos, artistas, animadores de festas, humoristas, bobos da corte, filósofos, entre outros.</p>
<p>O rei ordenou que ficassem reunidos o tempo que fosse necessário para realizar o trabalho. Então esses profissionais ficaram discutindo durante horas e horas, dias e dias, semanas&#8230; Após vários meses de reuniões ininterruptas dentro do castelo, eles estavam cansados e abatidos como o povo do reino. Decidiram então, que deveriam descansar e se divertir um pouco. Pediram ao rei comidas e bebidas a vontade, dizendo que esta festa seria indispensável à continuação do trabalho. O rei atendeu. Comeram e beberam até ficarem tão embriagados que começaram a cantar e pular e agarrarem-se. Resolveram fazer uma brincadeira: todos iriam trocar de roupas uns com os outros. Sentiram-se tão alegres que dançaram e cantaram o mais que podiam. Do lado de fora da sala, o rei nada entendia, ouvindo toda aquela cantoria.</p>
<p>No dia seguinte estavam exaustos, jogados pelo chão, de caras amarrotadas e com a maior ressaca de suas vidas. Mas estavam felizes como nunca. Foi aí que ocorreu-lhes um estalo: a resposta estava aí! O rei deveria organizar uma festa, regada à muita bebida, muita música e muita dança, onde todos trocariam de roupas com todos. O rei adorou a idéia.</p>
<p>Assim instituiu o carnaval.</p>
<p>E assim alcançou seu objetivo.</p>
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		<title>Os apertos desta vida</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Oct 2007 00:23:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Histórias]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois que passa nós rimos. Na hora é que é a coisa. Provavelmente são as histórias de vexame e aperto (aperto empregado aqui em termos gerais) mais engraçadas de se ouvir, mas as mais desagradáveis de se passar. Eu já passei por isso, quer dizer, já fui várias vezes até o aperto, mas nunca cheguei [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois que passa nós rimos. Na hora é que é a coisa. Provavelmente são as histórias de vexame e aperto (aperto empregado aqui em termos gerais) mais engraçadas de se ouvir, mas as mais desagradáveis de se passar. Eu já passei por isso, quer dizer, já fui várias vezes até o aperto, mas nunca cheguei às conseqüências do vexame.</p>
<p>Para quem nunca passou por isso, vou tentar colocar em palavras que sensação é essa que quem já sentiu, garante que é uma das mais desagradáveis. Primeiro você sente aquela pontadinha no estômago e pensa “ah, não há de ser nada, só um punzinho, já vai passar”. (Ah, está rindo é?, pois saiba que é isso mesmo!). Aí você solta unszinhos bem devagar para não fazer barulho que você não é besta, sai do lugar disfarçadamente para o pessoal não desconfiar que foi você, faz cara de sonso e ainda abana o nariz fazendo cara feia para mostrar para todo mundo que você também não gostou de terem feito aquilo. “Como pode? É muita cara de pau!”, ainda diz.</p>
<p><span id="more-14"></span>Depois, quando você vê que a vontade não está passando e, muito pelo contrário, piorando, começa a ficar nervoso. Se você está indo para casa ou outro lugar que tenha um banheiro salvador limpo e sossegado, você vai mais calmo. Mas se você está na rua, longe da sua privadinha de estimação, aí é o terror. Principalmente se está num ônibus, porque se não sabe, você com dor de barriga num ônibus, com certeza terá um engarrafamento. Neste caso é bom você não andar armado, pois se daria um tiro na cabeça. No calor de quarenta graus do Rio, você começa a sentir frio; sua barriga, doendo, começa a empurrar involuntariamente o que quer sair cada vez com mais força; você, voluntariamente, começa a prender a saída e tenta empurrar para cima; começa a guerra entre a natureza e a sua pessoa; você começa a amaldiçoar a fraqueza do corpo humano; não vê nem o decote nem a mini-saia daquela boazuda que passou ao seu lado; só vem à sua mente a figura simpática de uma singela privada; seu corpo começa a perder temperatura, você sente mais frio, seus pêlos, desde o dedão do pé até os cabelos começam a se eriçar &#8211; os pêlos do braço são os mais atingidos; você começa a suar frio desesperadamente &#8211; e não importaria se você estivesse em pleno inverno do Alaska, pois suaria da mesma forma; você começa a imaginar (ou a perceber, sei lá) que todos estão olhando para você, todos estão sabendo que você está se contorcendo todo e torcendo as pernas para ver se fecha mais a saída&#8230;</p>
<p>UFA! Assim vai até que você consiga finalmente sentar naquela linda cadeirinha de cerâmica. Ou não&#8230;</p>
<p>Como eu disse, nunca cheguei às vias do vexame, mas como todo mundo, tenho casos e mais casos de amigos e conhecidos que passaram por isso. Como aquele que estava na rua, teve dor de barriga e não pôde esperar. O escabroso é isso: quando você não pode esperar!! Ele não vacilou, foi para um canto bem escondido (com certeza não havia um banheiro pelas redondezas), baixou as calças e não teve tempo de pensar em mais nada, parece que desceu tudo de uma vez. Talvez um quilo e meio, por aí. Aaaah&#8230; o alívio, a melhor sensação que existe. A melhor coisa que existe quando se está com fome é o alívio de um prato de comida, quando se está com sede, um copo d’água, quando se está com sono, dormir, e quando se tem dor de barriga, defecar. Não sei bem como ele se limpou, ou se é que se limpou, mas nessas horas até nota de cem reais serve. Acabou!, ele pensou. Levantou, subiu as calças e quando colocou&#8230; blergh!&#8230; ele sentiu algo estranho e percebeu que tinha feito tudo dentro das calças! Não sei como se saiu dessa&#8230;</p>
<p>Tem aquele outro amigo meu que teve dor de barriga na rua, foi pegar o ônibus para ir para casa e, como já estava bem na beirola, ao levantar a perna para subir no sempre elevadíssimo degrau do ônibus, BLOSH!, se cagou todo (desculpem a expressão senhoras, mas foi isso mesmo). Vocês sabem como esses ônibus são altos, não teve jeito. Ele sentou na última cadeira, de frente para a roleta, já com o dinheiro contadinho na mão. “Hummm, como está fedendo&#8230;” as pessoas começaram a reclamar. “Hummm, é mesmo!” disse ele, com cara de nem é comigo, olhando a sola do sapato para verificar se não foi ele que pisou na caca. Quanto mais as pessoas reclamavam, mais ele reclamava junto. Quando chegou no ponto dele, assim que o ônibus parou, correu para roleta, jogou o dinheiro para o trocador e correu para porta de saída. Ainda deu para ouvir uma mulher gritando e apontando lá de trás: “É ELE QUE TÁ CAGADO!!!”</p>
<p>A história mais vexamosa que eu já ouvi, soube através de uns amigos de Belo Horizonte que juram que é verdadeira. É mais uma daquelas histórias de Belo Horizonte que se confundem com a realidade e se transformam em lendas urbanas. Foi lá o namorado na casa da moça conhecer os pais, vós, irmãos, empregada de vinte anos na casa quase irmã de criação, gatos, cachorros, etc. Família toda reunida, pão de queijo, jantar sendo servido, conversas, quê que cê faz?, uai, essas coisas. Bateu uma dor de barriga no pobre coitado. Primeira vez na casa da família da namorada e já vai à privada feder a casa toda!&#8230; ficou com vergonha de pedir para ir ao banheiro. “Tem algum lugar que eu possa lavar as mãos?” perguntou. “Claro, pode ir ali, naquela porta”. Crente que o mandariam para um banheiro com tudo dentro, foi, fechou a porta rápido e já ia desesperado abaixando as calças quando percebeu que só havia a pia. Afinal, ele pediu para lavar as mãos&#8230; Bateu o desespero. Pensou, pensou, e resolveu fazer na pia mesmo. Deu um jeito com as pernas, levantou daqui, subiu ali e AAAHHHH&#8230; o alívio! “Agora tenho que limpar essa sujeira”, pensou. Abriu a torneira e constatou horrorizado que não havia água no recinto. Não sei se vocês conseguem, mas eu não consigo imaginar o que passou pela cabeça desse pobre rapaz ao deparar com a cena tragicômica que ele mesmo havia se metido. Bateram na porta: “Fulano, esquecemos de te avisar que aí está sem água, vai lá no banheiro&#8230;”<br />
“Agora não preciso mais&#8230;”</p>
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