Textos para a Categoria ‘Humor’

Os perigos que passo

Por Declev Dib-Ferreira em 04/09/2011

OS PERIGOS QUE PASSO

Declev Reynier

Esta vida é realmente perigosa. Quando paro para pensar os perigos que já passei e que passo todos os dias, me tremo todo. Fico com medo até de sair de casa, de pôr os pés na rua.
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Choronas

Por Declev Dib-Ferreira em 15/08/2011

CHORONAS

Declev Reynier

– Snif… snif…
– Com licença.
– … snif…
– Desculpe, mas… o que houve?
– Nada… nada… snif…
– Como nada? Você tá chorando!
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Bode Pode

Por Declev Dib-Ferreira em 13/08/2011

BODE PODE

Declev Reynier

Vai meu filho, vai
Vai comer as garotinhas
Vai mostrar que você é homem
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Receita de bombaSou assimDiálogo



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O cara que não gostava de enterros

Por Declev Dib-Ferreira em 29/03/2008

O CARA QUE NÃO GOSTAVA DE ENTERROS

Declev Reynier

Ele não gosta de enterros. Fica nervoso, sua, não sabe o que dizer à família, sempre dá vexame. Por isso ficou quase transparente quando soube da morte do primo. Menos porque era primo, pois estavam meio afastados, muito tempo sem se ver, do que pela perspectiva do enterro. “Tem que ir, família é família!” sentenciou a mãe, e completou: “e lembro muito bem de quando vocês eram crianças e ele veio ao enterro do seu cachorrinho de estimação”. É, tinha que ir, não queria ser injusto.

Para não começar errado, foi de terno negro, bem alinhado.

Lá chegando estavam todos de roupa informal, coloridas, alguns até de bermuda e camiseta. O coração bateu forte. Foi falar com outro primo. “Ele pediu à mãe, quando moribundo, que não queria enterro com cara de enterro, que as pessoas viessem com roupas coloridas, não te avisaram?”.

Não avisaram. Até o destino prega peças para ele em enterros.

Foi falar com sua tia, a mãe do morto. “Meus parabéns!”, ele disse. Nunca sabe o que dizer nessas horas. Confundiu as frases, essas frases decoradas que usamos nos mais diversos eventos: “Parabéns, você merece!”, “Muitos anos de vida!”, “Tudo de bom!”, “Espero que sejam muitos felizes!”, essas coisas. Sua tia parou de chorar e olhou para ele, assim como quem estava por perto e ouviu.

Saiu de fininho; se tentar consertar, piora.

Durante o velório estavam todos sérios, consternados, muitos chorando, se agarrando ao caixão e ele, nervoso, pensando no que mais poderia acontecer, não conseguiu controlar, começou a rir de nervoso (acontece com algumas pessoas, com ele, em enterros). Não estava conseguindo nem disfarçar, começou a ficar vermelho, colocou a mão na boca, tentava se controlar quando um de seus primos o abraçou chorando e disse: “não chore primo, todos vamos sentir falta…”. Aí ele não agüentou, soltou uma gargalhada – riso nervoso, eu já disse – que ninguém entendeu. Pararam de conversar os que estavam conversando, de chorar os que estavam chorando, de andar os que estavam andando, todos olharam para ele ao mesmo tempo.

Sentindo-se o alvo das atenções, fingiu um desmaio.

Só assim conseguiu parar de rir. Murmúrios, cochichos, até risinhos ele ouviu, mas ficou ali no chão, estático. Vieram socorrê-lo, deram tapinhas no rosto, trouxeram água. Fingiu acordar: “o quê?… que houve?…”. O colocaram na cadeira. Fingiu melhorar, mas por pelo menos quinze minutos, todos ali se esqueceram do morto. Depois da cena disse estar passando mal e foi embora. Nem viu o enterro.

Estava ficando cada vez mais nervoso com velórios e enterros.

No dia seguinte sua mãe ligou chorando, dizendo: “filho… minha irmã que estava na Europa há três anos…”. Ele teve um ataque cardíaco.

Morreu sem ouvir a mãe terminar a frase: “…vai chegar amanhã para nos visitar!… filho?…FILHO???…”.

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Leila – a história mal contadaSobreRabo



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Do outro lado; crônica de um rapaz todo esquerdo…

Por Declev Dib-Ferreira em 26/03/2008

DO OUTRO LADO; CRÔNICA DE UM RAPAZ TODO ESQUERDO…

Declev Reynier

Eu Devia ser canhoto. Não sei como consigo escrever e fazer outras tantas coisas com minha mão direita (grande mão direita!!!).

Pode ser coincidência, ou pode ser até que eu fique procurando mais e mais coisas para corroborar a minha hipótese, mas o fato é que quase tudo o que acontece comigo, é no lado esquerdo. Digo quase tudo porque pode haver coisas que não me lembro.

Não sei nem por onde começar a lista.

Tenho um problema na vista. Um não, mas vários. Por exemplo, eu não tenho firmeza na vista, minha visão treme toda a não ser olhando para o lado direito. Claro que para o lado esquerdo treme. Já me falaram que foi “torcicolo de parto”. Já viu alguém ter “torcicolo de parto”? Acho que pensaram que eu era tampa de rosca! Além disso tenho astigmatismo nas duas vistas. É lógico que a vista esquerda é bem pior.

O único corte de que me lembro que tenha ficado uma cicatriz em meu corpo foi conseguido descascando cana. É no dedo indicador… da mão esquerda.

A minha canela esquerda é cheia de marcas. Por pura coincidência ou força do destino já a machuquei várias vezes. Teve uma vez até que deu uma infecção e ela ficou cheia de bolotas de pús; parecia uma obra de arte.

Lá pelos meus quinze anos estava chupando cana (de novo a cana) quando um dente incisivo superior se quebrou ao meio. O esquerdo. O mesmo que tempos antes havia me feito sofrer numa cadeira de dentista ao realizar um tratamento de canal.

A pouco tempo estava comendo pipoca, dei uma mordida em um milho mais duro. Joguei fora o “milho”. Senti algo estranho na boca. Quando olhei no espelho, havia quebrado um pedaço do molar inferior. Esquerdo.

O meu… você sabe o quê… é virado para a esquerda.

Na política eu sou de esquerda, graças a Deus.

Estou com alguma coisa me incomodando no joelho esquerdo. Sempre que vou me agachar ele estala, e quando fico muito tempo de pé ele incomoda.

A única coisa que quebrei em meu corpo em toda minha vida foi num campeonato de jiu-jitsu (sim, já fiz algum esporte!): o braço esquerdo.

Minhas orelhas são diferentes. Uma é mais para dentro que a outra. Mas na verdade não sei qual seria a forma “certa”, não veio manual.

É. Não me lembro de mais nada, mas só para constar: quando durmo com alguém na cama, eu prefiro ficar do lado esquerdo.

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O palhaço

Por Declev Dib-Ferreira em 24/03/2008

O PALHAÇO

Declev Reynier

Ele só vai trabalhar à noite, mas os dias não estão muito bons para ele…

Aliás, a vida não está sorrindo ultimamente para este pobre sujeito. Tem dívidas, muitas dívidas, faz uma dívida maior para cobrir uma menor. Procura outros empregos, mas a vida não está fácil e todos os empregos – até de porteiro – exigem experiência e referências, mas como um novato pegar experiência se todos os empregos pedem experiência?

Seus amigos o abandonaram, estão bem, empregados, com um dinheirinho para a cerveja, mulher e filhos. Não têm tempo para ficar ouvindo suas lamentações ou praticando filantropia. Sente-se só.

Quando numa fase melhorzinha, ele tinha lá o seu fusquinha, velho, mas que o levava com a esposa e as duas filhas para dar umas voltas no fim de semana pelos parques de seu bairro e à praia (por que é de graça). Só que esse carro é muito visado no Rio de Janeiro. Da última vez que fizeram compras de mês (quando o dinheiro ainda dava) e o dito cujo estava cheio de sacolas de supermercado, ao deixarem por um momento sozinho (voltaram para pegar um saquinho de azeitona que esqueceram), foi roubado. Roubado! Com todas as compras dentro. Imaginem o desespero. Não, não imaginem para não caírem em lágrimas.

Pelo menos ele tinha sua adorável esposa e suas adoráveis filhas.

Tinha, porque o mundo quase caiu em sua cabeça aquele dia em que ia fazer uma viagem para outra cidade tentar um emprego e a esposa mandou as filhas para a casa da avó para poder “arrumar a casa” sossegada. Ele perdeu o ônibus e automaticamente a entrevista e o emprego. Não sabe ainda se foi azar ou sorte. Chegou cedo em casa, abriu a porta e por um momento chegou a pensar que a esposa estava passando mal no quarto, pelos gemidos, urros, gritos e sussurros que dava, mas, qual sua surpresa ao ver a cena chocante: a esposa “cavalgando” o padeiro da esquina a quem ele estava devendo há mais de três meses, vestida só com um chapéu de caubói. Não é preciso dizer que toda a vizinhança ficou sabendo… Vocês conhecem bairro de periferia, todos sabem da vida de todos, principalmente quando saem duas pessoas peladas pelo meio da rua – e não são marido e esposa – com um homem de olhos esbugalhados e vermelhos correndo atrás – o marido – com uma faca de cozinha na mão e a cueca do outro na outra. Depois de tudo calmo ela ainda tentou se explicar, dizendo que assim ele, o padeiro, perdoaria a dívida dele, o corno. Ah…, pensou, por isso que o açougueiro, o dono da barraca da feira aos domingos e o diretor da escola das filhas não estavam mais cobrando aquelas dívidas…

Divórcio. A mulher, com a orientação do advogado, declarou em prantos, na frente de todos que estavam ali para ouvir (e eu estava) que o nosso amigo não estava mais “dando no couro” (expressão da própria), não estando, portanto, cumprindo sua função conjugal, tendo ela que procurar outros homens para se sentir mulher novamente. Bem, tirando aquelas duas vezes mês passado que “ele” não subiu, coisa que me contou chorando como uma criança me pedindo segredo (que eu guardei até aqui, espero que você também o faça), isso é uma mentira. Mas ela conseguiu, ficou com a guarda das crianças.

Há uma semana estava sozinho em casa, havia preparado o almoço (meio saquinho de macarrão instantâneo e duas salsichas fritas) quando chegou aquele senhor de terno e gravata, bem alinhado, com a barba bem feita, cabelos cuidadosamente alinhados, com a ordem de despejo na mão. Claro, não pagava o aluguel, água e luz há muitos meses. Estava na rua agora. Ele tinha um pequeno prazo para se mudar, mas foi naquele dia mesmo para casa dos pais. Como esta já era pequena para os pais e o irmão que lá morava, sobrou para ele o sofá da sala e suas poucas coisas foram guardadas no quartinho de ferramentas e outras bugigangas.

Por sorte, lendo o jornal que seu pai comprara, nas páginas de empregos havia um que não exigia experiência – davam treinamento – e ele foi ver. Estava contratado! Era para trabalhar basicamente as noites, teria uma parte do dia para fazer outras coisas. A vida começava a melhorar. Tinha um uniforme, uma roupa especial. No dia seguinte foi para o seu primeiro dia no emprego. Era numa casa, em uma festinha de criança. O resto do grupo já estava lá. Ele vestiu sua roupa, passou a maquilagem e foi trabalhar. Era o assistente, o que estava lá para levar as tortas na cara, cair nas brincadeiras todas que o “astro” do show fazia.

Depois de tudo o que passou por esses tempos, teria de fazer os outros rirem com as trapalhadas e situações embaraçosas que se metia ali no palquinho da festa.

A arte imita a vida, mas não importa, um palhaço é sempre um palhaço.

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Três trovas não novas – 4



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O porteiro

Por Declev Dib-Ferreira em 23/03/2008

O PORTEIRO

Declev Reynier

Tenório não suportava ser porteiro. Não havia estudado por pura preguiça e, por fim, foi o que conseguiu. Mas mal começou o trabalho já o estava amaldiçoando. Jurou que não iria ser porteiro por muito tempo. Disse que preferia roubar ou até mesmo matar se preciso, mas não seria porteiro.

Foi o que fez. À noite estava trabalhando – ou dormindo no trabalho – e durante o dia ia roubar. Assaltava velhinhos e crianças, pois eram mais fáceis. Não precisava nem usar a arma. Em poucas semanas não agüentou e largou o emprego, já estava ganhando mais com os roubos. “Trabalhava” agora à noite. Assaltos à mão armada, assaltos a residências, matou pessoas, virou bandido perigoso, procurado pela polícia.

Um dia, num cerco policial, foi surpreendido, trocou tiros com a polícia e acabou baleado. Quase morrendo sentiu uma ponta de arrependimento, mas, como que quisesse justificar-se pensou: “Não! Eu não poderia ser porteiro!”. Morreu.

Do outro lado, foi recebido por espíritos que vieram em seu socorro. O mais iluminado, que chegava a cegar-lhe, disse:

— Tenório, temos um serviço para você cumprir.

— Sim, meu Senhor?!? – Pensava estar falando diretamente com Deus; estava chorando.

— Serás, durante dois séculos, o porteiro da casa de reabilitação das almas desvirtuadas.

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Por ser de cá

Por Declev Dib-Ferreira em 20/03/2008

POR SER DE CÁ

Declev Reynier

[Baseado em Lamento Sertanejo]

Por ser de cá, da cidade, sou como todos, e não sou como ninguém.

Tenho medo de andar às ruas, mas ando.

Detesto os programas de televisão, mas vejo.

Acho um tormento ir à praia num domingo de sol no verão, mas vou.

Todos os supérfluos estão pela hora da morte, sei que nunca vou usá-los, mas compro.

Odeio essas músicas fabricadas em série que estouram em todos os lugares, mas escuto.

Sei que é difícil namorar sério, com essa cultura do “fica daqui, fico dali”, (além de muito caro), mas namoro.

Não entendo bulhufas da arte moderna, mas visito.

Levo surras no computador, mas uso.

Tenho consciência do stress a que são acometidos os trabalhadores que saem e voltam todos os dias na hora do “rush” para ganhar um salário ridículo, mas trabalho.

Pode não haver a marca de cerveja que gosto, estar quente e não ter cadeira para sentar, mas bebo.

Doce engorda, mas como.

Legumes e verduras são saudáveis, mas não como.

As praias estão poluídas, mas caio.

As roupas da moda são ridículas, mas uso.

A vida no interior é uma beleza, calma, serena, natural, gostosa… mas por ser de cá, daqui não saio!

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Porque os pobres são cada vez mais feios e os ricos cada vez mais bonitos

Por Declev Dib-Ferreira em 18/11/2007

 Estudo da seleção sócio-natural na espécie humana 

Feio e bonito, horroroso e lindo são conceitos relativos, isto é, não são absolutos (lógico). O que para mim é bonito, não será necessariamente para todas as outras pessoas. Alguém que eu ache feio você mesmo poderá achar bonito, lindo, sei lá; afinal “a beleza está nos olhos de quem vê” e “quem ama o feio bonito lhe parece”. Nós, seres humanos, utilizamos também outros critérios para caracterizar nossos semelhantes, como a inteligência, o charme, a elegância, a simpatia, o nível social, entre outros. Nós damos maior ou menor valor a essas características, de acordo com nossos próprios valores, sendo essas virtudes pessoais realmente importantes.


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PresenteViagem astral na TerraO menino de rua



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Entrevista com o louco

Por Declev Dib-Ferreira em 04/11/2007

ENTREVISTA COM O LOUCO

Declev Reynier

Hãn? Meu nome? Não sei… não lembro mais…

Hãn? Minha casa? É… o hospício não é tão ruim. Aqui me sinto protegido; é sossegado, tirando os berros casuais de alguns colegas.

Hãn? Sim, sim, sou bem tratado.

Hãn? Visitas? De vez em quando recebemos as visitas de algum anjo. No gramado há alguns unicórnios e duendes, mas não são todos que conseguem vê-los.

Hãn? Solidão? Não, não… eu tenho um bichinho de estimação, o Gotchgotch. Ele não é daqui, é de outro planeta; caiu aqui no terreno numa cápsula espacial.

Hãn? Ele come ramiscabrini com molho menesquênsis.

Hãn? Quando cheguei aqui? Há alguns milênios, acho…

Hãn? Porquê vim para cá? Não sei, acho que me achavam normal demais para ficar no mundo louco lá de fora.

Hãn? As últimas coisas de que me lembro antes de vir prá cá? Não me lembro de muitas coisas não… lembro de uma mulher… e lembro de que eu falei um dia: “nem que seja a última coisa que eu faça, eu ainda vou compreender essa mulher!”…

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