Textos para a Categoria ‘Escritos’
Por Declev Dib-Ferreira em 27/03/2008
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Felizes são os atores
Que podem tirar de si
De dentro
Do fundo
Tudo o que lhes oprime
Podem ser o mundo
Chorar as dores de seu peito
E dizer que é de outro
Cuspir sua raiva
E dizer que é de outro
Podem ser tantos, tantos e tantos
Sem serem tachados
De loucos
Podem ser loucos
E nunca o serão.
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Por Declev Dib-Ferreira em 20/03/2008
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Por ser de cá, da cidade, sou como todos, e não sou como ninguém.
Tenho medo de andar às ruas, mas ando.
Detesto os programas de televisão, mas vejo.
Acho um tormento ir à praia num domingo de sol no verão, mas vou.
Todos os supérfluos estão pela hora da morte, sei que nunca vou usá-los, mas compro.
Odeio essas músicas fabricadas em série que estouram em todos os lugares, mas escuto.
Sei que é difícil namorar sério, com essa cultura do “fica daqui, fico dali”, (além de muito caro), mas namoro.
Não entendo bulhufas da arte moderna, mas visito.
Levo surras no computador, mas uso.
Tenho consciência do stress a que são acometidos os trabalhadores que saem e voltam todos os dias na hora do “rush” para ganhar um salário ridículo, mas trabalho.
Pode não haver a marca de cerveja que gosto, estar quente e não ter cadeira para sentar, mas bebo.
Doce engorda, mas como.
Legumes e verduras são saudáveis, mas não como.
As praias estão poluídas, mas caio.
As roupas da moda são ridículas, mas uso.
A vida no interior é uma beleza, calma, serena, natural, gostosa… mas por ser de cá, daqui não saio!
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Por Declev Dib-Ferreira em 01/12/2007
O futuro é algo que chega
A cada milionésio de segundo
O passado também nasce
A cada milionésio de segundo
A fronteira entre os dois
O presente
É tão volátil
Tênue
E inconsistente…
Que nem se se existe
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Na mesma linha:
a) Passado, presente, futuro
b) Passado, presente, futuro
c) Frases e pensamentos
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Por Declev Dib-Ferreira em 25/11/2007
Já viajei muito pelo meu país
Muitas paisagens admirei
Andei buscando o belo
Mas nem sempre encontrei;
Levo a máquina sempre à mão
Para registrar tudo em fotos
Mas as vezes não a uso
Pois nem sempre de tudo gosto;
As janelas dizem tudo
São quadros da nossa realidade
Elas nos mostram a vida em volta
Revelando-nos a verdade;
Já fiquei em cinco estrelas
E da janela rei me senti
Já fiquei em barraco no morro
E fiquei triste com o que vi;
Já fiquei em “apê” em frente ao mar
E da janela via os barcos a velejar
Já parei de carro perto de favela
E crianças pediam trocados pela janela; No nordeste vi a seca
Muita gente a viajar
Pessoas comendo calango
E a terra a rachar;
Eu já fui ao Amazonas
Vi um rio que é um mar
Mas mesmo com tanto peixe
A miséria estava lá;
Pode dar alegrias e às vezes embaraço
Mas, igualdade? Quem já viu?
Nas viagens que eu faço
Das janelas vejo o Brasil.
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Dindin:
a) Veja e compare os preços, no BuscaPé, dos CDs com o tema Janelas.
b) Veja e compare os preços, no BuscaPé, dos livros com o tema janelas.
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Na mesma linha:
a) Janelas – Sylvia Cohin
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Por Declev Dib-Ferreira em 02/11/2007
Cativas, mas
Cativar
Não é pôr
Em cativeiro;
Cativas, mas
Cativar
Não se compra
Com dinheiro;
Cativas, pois
Cativar
É um verbo
Por inteiro;
Cativas, mas
Cativar
É devagar
E sorrateiro;
Cativas, pois
Cativar
É reconhecer
Pelo cheiro;
Cativas, pois
Cativar
É amor
Verdadeiro.
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Na mesma linha:
a) Cativando - Silvia Cohin e Fernando Peixoto
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Por Declev Dib-Ferreira em 31/10/2007
Alguma coisa despertou
Em meu coração de gelo
Algo que agora o esquentou
E periga derretê-lo
Que nome que isso tem? Amor?
Quem poderá me responder?
Só sei que agora sinto dor
E sem isso não sei viver
Faço desse sentimento
Da minha vida o alimento
Que me dá forças pra esperar
O tão esperado momento
De acabar meu sofrimento
Na hora que você voltar
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Na mesma linha: http://calidoscopiopoetico.blogspot.com/2007/08/odes-ao-amor.html
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Por Declev Dib-Ferreira em 28/10/2007
Estavam voltando do restaurante, satisfeitos. Antes de chegarem ao carro avistaram a cena chocante, que deixou os dois aflitos. – “Olha Mário, coitado…” – disse a esposa. – “Oh…, você sabe que não consigo ver essas coisas Sandra!” – os olhos dele logo lacrimejaram. Ficaram por alguns instantes parados, observando aquele triste quadro urbano.
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Por Declev Dib-Ferreira em 24/10/2007
O casal parou em frente à loja de perfumes; uma vendedora estendeu o pé, e lhes entregou uma fita com o odor de um perfume. A mulher do casal olhou-a com a boca – aberta -, agradeceu pelo nariz e levou a fita ao ouvido para melhor sentir o cheiro. Ela disse que gostou, mas não iria levar porque estava sem dinheiro. A vendedora, boa vendedora por sinal, insistiu e disse: “leve, faço questão, pode deixar que eu pago”. O casal entrou na loja, à espera de novos clientes, e a vendedora foi embora, feliz da vida, carregando o perfume que acabara de vender.
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Por Declev Dib-Ferreira em 22/10/2007
Não quero Sorvete,
Quero só ver-te
E depois sorver-te…
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Por Declev Dib-Ferreira em 18/10/2007
Ele leu sobre o concurso em um jornal. Estavam dando bastante destaque, começou a sair até na televisão. Foi pela pindaíba que estava passando que resolveu se inscrever.
- Ô Zé, cê tá lôco??? – perguntou estupefato um amigo – se inscrever no concurso de bunda substituta num grupo de pagode???
- É a crise né?, tenho que tentar de tudo – se limitou a dizer.
Foi fazer a inscrição. A bunda (ops!), a moça que estava recebendo as fichas das candidatas quase teve um troço:
- Sr. José… o senhor não pode se inscrever!
- E porque não?
- O concurso é para escolher a bunda mais bonita que dança mais gostoso para fazer parte do grupo!
- Eu sei… mas, em primeiro lugar, considero que tenho uma bunda bonita e, depois, dançar eu já tenho prática: dancei no emprego, dancei na poupança, dancei no casamento… e o regulamento não diz que homens não podem se inscrever!
- É mesmo…
Conseguiu se inscrever.
Ele tinha muitos pêlos nas pernas e bunda, é verdade, mas resolveu que não iria raspar, só clarear com água oxigenada – É para dar charme – disse. Difícil foi achar uma roupa que coubesse…
No dia da primeira eliminatória surpreendentemente ele arrasou! Ficou entre as vinte finalistas, dançou e rebolou como nenhuma outra. Na finalíssima foi mais arrasante ainda. Não teve para ninguém! Só viram a bunda dele. Conquistou o primeiro lugar. Quebrou um paradigma e saiu do palco chorando.
No dia seguinte, como era de se esperar, saíram fotos suas (do traseiro, diga-se) em todos os jornais e revistas do país. Ficou famoso. Manchetes: “O Homem da Bunda mais Bonita do Brasil!”, “O Sucessor!”, “A Bunda que venceu!”…
Aí começaram os reveses. Começaram a falar mal dele, dizendo que era burro, que não havia mais nada na cabeça além da bunda, colocaram frases mentirosas em sua boca, coisas horrorosas que só a imprensa e o povo unidos jamais serão vencidos são capazes de fazer. Começaram muitas mulheres a fazerem propostas indecentes, maliciosas, oferecendo dinheiro para irem com ele para cama, ligações anônimas no meio da noite com mulheres falando barbaridades obscenas… Não teve mais sossego!
Até que não agüentou. Não seguiu a carreira artística. Desistiu.
Não queria ser conhecido como apenas mais uma bundinha bonita da Música Popular Brasileira.
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