O vingador imaginário 1
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Entrei no ônibus, o trocador estava fumando. Reclamei. Senhor, é proibido fumar aqui dentro. “Eu sei, mas todo mundo fuma, ele respondeu, estamos no Brasil, aqui as leis foram feitas para se desrespeitar”; e continuou tragando o cigarro e, creio que propositadamente, a fumaça veio para minha cara. “Mas é você mesmo quem deve dar o exemplo”, eu disse. Ele riu e gritou para o motorista: “aí ó, o cara aqui qué que nós paremos de fumá porque tá trapalhando a respiração dele”. Eu vi quando o motorista deu uma olhadinha pelo espelho, virou para trás e, rindo, deu uma tragada no cigarro que estava em sua mão. E logo no banco de trás dele havia uma senhora com duas crianças, uma de colo. Depois desta cena eu não agüentei, tomei o cigarro da mão do trocador, apaguei em cima da caixa de dinheiro e atirei em cima dele dizendo: “aqui é proibido fumar!”. Várias pessoas observavam minha reação. Uma começou a bater palmas, de repente todo o ônibus fez o mesmo. O trocador saiu de sua cadeira para cima de mim; o motorista parou o ônibus e também veio. Os passageiros me defenderam dizendo que eu estava certo. Começou um empurra-empurra, começaram todos a bater nos dois. Comecei a quebrar o ônibus. Primeiro foi uma lâmpada, depois outra, puxei o sinal até arrebentar a corda, quebrei uma janela. Várias pessoas saíram do ônibus apavoradas, mas os mais irritados, junto comigo, quebraram o ônibus todo. Apareceu um rapaz com uma lata de tinta spray. Ele escreveu no ônibus, bem grande, do lado de fora: “é proibido fumar”.
Que eu saiba, desde este dia, nenhum trocador ou motorista foi visto fumando dentro dos ônibus.
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