Porque os pobres são cada vez mais feios e os ricos cada vez mais bonitos

Por Declev Dib-Ferreira em 18/11/2007

 Estudo da seleção sócio-natural na espécie humana 

Feio e bonito, horroroso e lindo são conceitos relativos, isto é, não são absolutos (lógico). O que para mim é bonito, não será necessariamente para todas as outras pessoas. Alguém que eu ache feio você mesmo poderá achar bonito, lindo, sei lá; afinal “a beleza está nos olhos de quem vê” e “quem ama o feio bonito lhe parece”. Nós, seres humanos, utilizamos também outros critérios para caracterizar nossos semelhantes, como a inteligência, o charme, a elegância, a simpatia, o nível social, entre outros. Nós damos maior ou menor valor a essas características, de acordo com nossos próprios valores, sendo essas virtudes pessoais realmente importantes.

Porém, aqui usaremos apenas duas variáveis: a beleza e o nível social, que são as duas realmente relevantes neste estudo. Devemos apenas ter em mente que há exceções, ou seja, uma pessoa que alguém (que pode ser eu, ou você mesmo) ache bonita, pode passar a não ser interessante se for sem graça, burra, brega, antipática e por aí vai. Mas, dentro do fator “tempo”, estas variantes se anulam. Vamos considerar que beleza é a faculdade de uma pessoa atrair outras pelo aspecto físico. Já dissemos que beleza é um conceito relativo, porém, sem o julgamento pessoal e as exceções, você há de convir que há pessoas bonitas e pessoas feias. Há aquelas pessoas que, independente de etnia ou nível social, são consideradas bonitas por todos. E há aquelas que, infelizmente temos que dizê-lo, são consideradas feias por todos. E temos também o meio termo, as que uma parte das pessoas acha bonita e outra parte acha feia; as chamadas “mais ou menos”.Considerando essas três categorias de pessoas, podemos fazer uma análise do que está acontecendo na raça humana, em função do nível social, através das gerações. Quanto ao nível social, vamos considerar apenas dois: uma “Classe Pobre” e uma “Classe Rica”, que tem boas condições financeiras, envolvendo a média e a rica, pois os efeitos da seleção sócio-natural nestas duas é quase igual, sendo apenas um pouco menos notada na classe média. Podemos desconsiderar porém, esta pequena diferença, porque no fim os resultados são os mesmos.Podemos dizer, então, que a cada geração os ricos ficam mais bonitos e os pobres ficam mais feios (no conceito geral apresentado aqui). Polêmico? Vejamos.É um resultado lógico da desigualdade. Para começar: quem tem dinheiro se alimenta melhor, nutre-se das vitaminas e proteínas necessárias ao corpo e à mente e fica mais vistoso, mais rechonchudo, com uma aparência melhor e mais saudável. Uma pessoa que tem dinheiro pode ainda pagar um bom tratamento dentário, um bom cabeleireiro, um bom médico, fazer regimes especiais e outras coisas que a deixarão com uma boa aparência.

Não se trata de Lamarkismo, mas como dissemos, de seleção sócio-natural. O “sócio” muda tudo. Estes aspectos se mostram determinantes na dinâmica reprodutiva humana através das gerações.

Vamos trabalhar com situações envolvendo algumas pessoas e os resultados, sem levar em conta o sexo (pois é irrelevante), apenas quando citarmos.

Consideremos uma pessoa que seja da Classe Rica, conforme explicitamos. E vamos considerar também que esta pessoa seja bonita, dentro dos parâmetros apresentados. Temos aí a primeira variável: Bonita-Rica. Lembre-se, não estamos considerando o jeito dela ser (simpática, brega, esnobe…), isto agora não importa. Esta pessoa já é bonita e ainda pode se tratar bem. Pode comer, fazer exercícios, entrar em academias, usar cremes, ir ao cabeleireiro, médicos, dentistas, etc. Vai ficar ainda mais bonito, ou bonita. Pode também se vestir bem e, é claro, as roupas influenciam.

O fato dela poder ficar mais bonita se tratando bem não será passado aos seu descendentes, mas esta pessoa tem grandes possibilidades de ter filhos bonitos, porque tem grandes possibilidades de encontrar parceiros bonitos. Por quê? Porque ela certamente vai atrair pessoas também bonitas e pode “dispensar” as feias. E como seu núcleo de amizades será de pessoas que também têm dinheiro, o mais provável é que este parceiro também seja rico.

Não estamos considerando aqui as exceções – como dissemos, através do tempo as exceções não influenciam o resultado. Além disso, na maioria esmagadora das vezes não acontece de esta pessoa ter filhos com pessoas feias ou pobres, sendo este dado desprezível em termos de evolução.

Então, esta pessoa, neste casal, (Bonita-Rica & Bonita-Rica) terá grandes chances de ter descendentes tão ou até mais bonitos. E nas exceções, se quiserem considerar, o mais provável se o seu parceiro for pobre, é que seja um pobre bonito (Bonito-Rico # Bonito-Pobre), ficando então para último lugar, para as exceções, em possibilidades irrisórias, um parceiro Feio-Pobre.

Vamos considerar agora uma pessoa também rica, mas feia – uma Feia-Rica. Não precisa ser nem do tipo “mais ou menos” que falamos no início; pode ser até das mais feias. Daquelas que seja consenso em sua feiúra. Essa pessoa, embora feia, pode atrair parceiros mais bonitos que ela. Por quê? Porque tem dinheiro! É chato, é horrível, mas isso conta na nossa sociedade.

O fato é que esta pessoa poderá comer bem, tendo uma boa aparência; poderá se vestir bem, influenciando no julgamento exterior das pessoas. Poderá freqüentar academias que, junto com uma boa alimentação, o deixará com um corpo mais bonito, forte, mais vistoso, chamando mais atenção e assim, “menos feio”. No caso das mulheres poderá ser usado o recurso da maquiagem. Sabemos que a maquiagem pode fazer milagres. Ela ficará “menos feia”. Ambos os sexos poderão usar ainda um outro recurso que é a plástica – e esse tipo de “embelezamento” está definitivamente fora do alcance de pessoas sem renda. Ficando “menos feios” por meio de todos estes recursos, aumentam consideravelmente as chances de encontrarem parceiros mais bonitos. Não importa a situação financeira de seu parceiro, mas o fato é que seus descendentes serão mais bonitos, porque terão uma parte da carga genética de seu parceiro, que neste caso, é bonito (Feio-Rico & Bonito-Rico ou Feio-Rico & Bonito-Pobre). É importante frisar que a primeira alternativa aqui também é a mais provável, pelo seu círculo de amizades. Portanto, as pessoas que tem uma boa situação financeira, independente do sexo, tem grandes chances de gerarem descendentes mais bonitos que os próprios – no sentido geral e estético – através das gerações.

Vamos analisar agora o outro lado, o das pessoas pobres. Essa pessoa, em termos gerais, não se alimenta direito, tem maiores chances de sempre se preocupar com a sobrevivência, não dorme direito, não se exercita em academias, não tem chances de cons estudos, enfim, não pode cuidar direito nem do corpo nem da mente. No caso de ser mulher não tem todos os bons recursos de maquiagem, cabeleireiro, essas coisas e, embora possa ser vaidosa, pela própria preocupação em sobreviver, acaba não podendo investir demais com a aparência.

Se trabalha, em sua maioria é um trabalho que exige horas e horas de viagens fatigantes em ônibus ou outros transportes superlotados, além de serem trabalhos cansativos, que exigem força braçal. Ou seja, levam uma vida extremamente dura, o que não leva a uma boa aparência. Consideremos primeiramente o Feio-Pobre. Com tudo o que dissemos depreende-se que não pode “melhorar” a sua aparência. Junte aisso o seu círculo de convivência também de pobres e teremos um resultado em que dificilmente esta pessoa irá ter filhos com pessoas ricas; e também dificilmente, com pessoas bonitas.

Há, então, uma enorme probabilidade de obterem descendentes com pessoas feias e pobres (Feio-Pobre & Feio-Pobre). Seus filhos serão então tão feios, ou até mais feios, dependendo de seu parceiro, dando continuidade ao seu padrão de feiúra.

As situações que já descrevemos são praticamente estáveis, com poucas exceções. Talvez então, a situação mais polêmica seja a do Pobre-Bonito. Não podemos dizer que uma pessoa pobre não seja vaidosa ou que não possa ter cuidado com seu corpo e sua aparência, mas, como vimos, com certeza não tem as mesmas chances e recursos que as pessoas ricas. Desta forma, ela não terá condições de mostrar toda a sua beleza, ou de realçá-la, sendo, mesmo assim, uma pessoa bonita.

Ela conviverá com pessoas da mesma condição social e por ser bonita, poderá ter maiores chances de atrair pessoas também bonitas. Seus descendentes serão então, tão ou mais bonitos do que ela. Considerando seu círculo de convivência, seu parceiro terá grandes chances de ser também pobre. Porém, uma pessoa Pobre-Bonita, em comparação com o Pobre-Feio, tem maiores chances de casar com uma pessoa rica, pois sendo bonita, irá chamar mais atenção. Casando-se com uma pessoa rica, ela passa automaticamente a ser Rica-Bonita. O seu parceiro rico pode ser feio ou bonito. Se for feio, a pessoa ex-pobre irá “ajudar” a melhorar a aparência dos descendentes de seu parceiro. Se seu parceiro for bonito, sua classe continuará a gerar descendentes bonitos.

Todos os exemplos apresentados têm as suas exceções, mas como dito, estas não têm efeitos através das gerações. Somando-se todos os fatores analisados podemos concluir que a classe rica, de geração à geração, está ficando cada vez mais bonita, e a classe pobre cada vez mais feia.

Mesmo que você não goste do que acabo de dizer, sinto muito, há de concordar.

——————————————————————————————————————————

Na mesma linha:

a) O risco da disputa de classes

——————————————————————————————————————————

Textos Relacionados à "Porque os pobres são cada vez mais feios e os ricos cada vez mais bonitos"

PresenteViagem astral na TerraO menino de rua



Compartilhe:  Uêba  |   del.icio.us  |   Rec6  |   Linkk

  1. 10 Comentários to “Porque os pobres são cada vez mais feios e os ricos cada vez mais bonitos”

  2. Por Greh em 19/11/2007 | Reply

    Excelente post…dei muita risada mas como você disse, eu tenho que concordar. Infelizmente, todos assuntos tocados são verdadeiras tirando as excessões. Parabéns, abração !

  3. Por salatiel em 16/04/2008 | Reply

    adorei os comentários mais eu queria saber quanto uma pessoa deve ganhar ao dia para considerar se ela é pobre ou rica????

    quero resposta pelo msn……

  4. Por Declev Dib-Ferreira em 16/04/2008 | Reply

    Pois é Salatiel,

    É uma resposta difícil de se dar. No Brasil, quem ganha 3 mil reais por mês já é considerada rica.

    Mas ficamos com o subjetivismo da coisa mesmo; ou seja: não sei! rs.

    Abraços

  5. Por Eu em 14/08/2008 | Reply

    De certa maneira o que esta aí é verdade. Embora tambem haja pobres bonitos, até mais bonitos que os ricos. Eu acho que o dinheiro influencia pouco, só se for uma diferença de um homem que não tem um pão e de um homem que tem 50 casas, etc.. por exemplo.

  6. Por Jitilda em 11/01/2009 | Reply

    eu não gostei desse texto pois não há imagens que comprovem os fatos. uma imagem vale mais do que mil palavras e que essa seja uma dica para a próxima matéria de vocês.
    bjjsssssssssssssssssssssss………

  7. Por Declev Dib-Ferreira em 11/04/2009 | Reply

    Obrigado pela dica Jitilda, mas colocar uma imagem de alguém “feio” ou “bonito” pode ser complicado para o sitem ok?

    Abraços.

  8. Por carlos em 11/05/2009 | Reply

    RIDICULO! filosofia pessimista em termos de meias verdades !

  9. Por Declev Dib-Ferreira em 14/05/2009 | Reply

    Pode ser… mas faz pensar.

  10. Por patrick em 22/07/2010 | Reply

    Olha eu sempre me indagava arrespeito de tao grande abismo estético entre as classes, mas nunca adotei nenhuma tési em relaçao a isso, mas apos ler seu texto finalmente achei uma. Pois eu concordo plenamento com o que esta escrito acima.
    parabens..

  11. Por aline em 06/04/2014 | Reply

    além de concordar com tudo que foi dito, ainda digo mais, o pobre pode se empetecar fazer o q for, e o rico apenas de havaianas e ainda assim todos notam quem tem e quem não tem….além do tratamento ser outro.

Faça um Comentário

O que encontrar por aqui?

Estou unindo a minha cara de pau com o serviço inestimável de um blog cultural. Vejam só que idéia magnífica! Dói escrever e ninguém ler. Saiba mais

Quer assinar?

 Assine em um leitor Ou, receba por email:
Digite seu email: