Textos para mês 10/2007
Por Declev Dib-Ferreira em 16/10/2007
Não devia me apaixonar
Por esta risada
Contagiante
Que me faz tão bem
Bem, meu bem
Que me faz tão bem
E alegra o meu dia
Então sorria
Gargalhe
Como uma criança feliz
Qualquer bobagem me diz
Porquê me faz tão bem?
Porquê me faz tão feliz?
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Por Declev Dib-Ferreira em 16/10/2007
COMO FAZER LETRAS DE MÚSICAS
Declev Reynier
Bom… sei lá né?, tem tanto letrista por aà ganhando dinheiro, que resolvi fazer também…
Se alguém souber de alguém que possa me indicar alguém que tem alguma banda e queira musicar minhas letras, é só me avisar.
Estou tentando vários ramos musicais. Nada de MPB, lógico, que isso não dá dinheiro. Não que eu seja mercenário, mas também tenho minhas contas, né? Afinal, não tive bolsa no mestrado!
Se alguém achar as letras muito difÃceis, pode pedir que mando uma explicação.
Abaixo dos tÃtulos tem o ritmo em que elas devem ser musicadas.
Aviso que a terceira, como deve ser, é meio pornográfica, senão não iria fazer sucesso. Quem se ressente, não leia…
Divirtam-se!
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Por Declev Dib-Ferreira em 16/10/2007
O grupo Estação (de cinema) tem um projeto chamado “Oficina Cine-Escola”, uma programação especial, acertada com a escola e o professor, com filmes escolhidos, atividades após a sessão (debates, jogos, artes,etc.). Para maiores informações, tem os telefones e os imeius: (21) 2539-6142 / (21) 2539-1505 / (21) 2537-93222 / oce@estacaovirtual.com. Tem também um programa em que há sessões (sábado pela manhã, de 15 em 15 dias) de graça para quem é professor, com debates no final. Entrem no sÃtio e inscrevam-se para receberem informações: www.estacaovirtual.com.br. Não deixem de participar, pois só tem filme bom. E vamos nos encontrar lá!
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Textos Relacionados à "Projeto Oficina Cine-Escola"
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Por Declev Dib-Ferreira em 16/10/2007
A escola, com seus diminutos habitantes, nos dá uma visão resumida da comunidade. Nessas crianças encontramos as diversas personalidades das pessoas que nos cerca mundo afora. É um indÃcio das qualidades e defeitos que o ser humano traz dentro de si, à s vezes por aprendizado (dentro de casa, através dos colegas, pela televisão), e muitas vezes inato ao ser que habita aquele corpo.
Lembro-me de diversos e diversas companheires de escola. Lembro-me vagamente até do primeiro dia que entrei no jardim de infância. Desde este dia em diante convivi, diariamente, com uma gama infinita de personalidades. Alguns causaram-me admiração e eterna amizade; outras ânsias e hoje em dia indiferença.
Algumas dessas “personalidades†ou “jeito de ser†são marcantes. Há em qualquer escola ou outro conglomerado de pessoas. Você mesmo, com certeza, vai lembrar de vários coleguinhas seus que passaram por sua vida.
Darei alguns exemplos:
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Textos Relacionados à "As diversas personalidades em uma escola"
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Por Declev Dib-Ferreira em 16/10/2007
Confesso não gostar de carnaval… Tá bom tá bom, esquecer de tudo, tradição, divertimento, blá blá bla… Mas não consigo me acostumar com esta catarse coletiva e a total complacência com a quebra das normas – muitas das quais gostaria de quebrar pra sempre! – só porque é carnaval.
Depois volta tudo ao normal e ninguém mais pode quebrar as regras. Tem que ser normal!!! Pois não é mais carnaval…
Vamos quebrar as regras sempre! Nos divertir sempre!! Ser sempre felizes!!! Os loucos que somos no carnaval sempre!!!!
E pra isso não precisamos explorar corpos de mulheres nuas, mostrar bundas e peitos na televisão, publicar revistar com “tudo aquilo que a televisão não mostra”, montar camarotes milionários na festa “do povo”, substituir o morador que trabalha o ano inteiro pela famosa da tevê, receber patrocÃnios para “homenagear” quem nos paga e esquecer quem devia ser homenageado, colocar confetes e serpentinas em todas as imagens da publicidade, beber despropositadamente todos os dias, entre outras peculiaridades.
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Por Declev Dib-Ferreira em 16/10/2007
Ele parecia se divertir com aquilo.
Sempre que tinha uma oportunidade não vacilava: tirava o vestido do armário, punha aquela velha peruca de guerra e lá ia ele.
No princÃpio precisava beber. Não tinha coragem de sair de cara limpa. Depois, à s vezes nem bebia. Se divertia até se acabar. Mexia com todos os homens. Dava beijinhos, pulava em cima dos carros, metia a cabeça nas janelas, desmunhecava a valer.
No final da farra ficava jogado num canto entre farrapos de vestido, a velha peruca e vômito. Era no carnaval, pré-carnaval, pós-carnaval, carnaval fora de época, semana santa, festas juninas, julinas, agostinas, ano novo, até nos aniversários dele e dos amigos.
No inÃcio a esposa acompanhava.
Se divertia, ia ao lado, queria ver se ele dava em cima das mulheres, mas os homens vestidos de mulheres é que davam em cima dela. E ela se divertia junto.
Depois começou a ficar cansativo e maçante. Ela já não gostava dessas farras - que ele não abria mão.
Brigavam, e ele ia mesmo só. Ela pensava que ele ficava com outras, sabia como eram essas brincadeiras, os homens se vestem de mulher para dar em cima das de verdade. Ela mesma já sentiu isso na pele. Ele jurou que não fazia isso. Ela não acreditou.
Brigaram feio, separaram, mas ele parece que não ligou muito, se vestia de mulher sempre que havia uma oportunidade.
Seu codinome começou a ficar conhecido: Leila. Gostava da Leila Diniz. Dizia que ficava parecido com ela quando colocava o biquÃni. Com a diferença que sua barriga é de chopp.
Os amigos aos pouco se afastaram, não conseguiram seguir seus passos. Viajava quilômetros para participar de alguma festança onde havia um desses “desfilesâ€.
O cúmulo foi ele começar a freqüentar os barzinhos, aqueles em que a rapaziada fica toda do lado de fora sem gastar nada só se “azarandoâ€, vestido de mulher.
Detalhe: cada noite com um vestido diferente. O pessoal começou a desconfiar, até os mais chegados. De tanto fazerem brincadeiras e piadinhas de mau gosto, ele se afastou dessas pessoas.
Não freqüenta mais estes lugares nem vai mais às festas onde todos brincam vestidos de mulher. Sumiu.
Alguns dizem que ele se magoou com a desconfiança dos amigos, outros juram que viram um travesti muito parecido com ele fazendo ponto perto da Praça Mauá…
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Textos Relacionados à "Leila – a história mal contada"
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Por Declev Dib-Ferreira em 16/10/2007
O CARNAVAL
Declev Reynier
Dona Clotilde já está no escritório do Dr. Alaor. É uma hora da tarde de quarta-feira de cinzas. Veio cedo porque sabe que o patrão é criterioso nos horários e haverá uma reunião à s duas horas. Para ela não houve problema de estar lá em plena quarta-feira de cinzas tão cedo; não gosta de carnaval, havia ido com mais algumas amigas da igreja para um retiro no sÃtio do pastor.
Seu Alaor chegou logo depois. Às 13h e 30 minutos adentra ele o escritório com uma roupa de árabe, a maleta em uma mão e a outra com o dedo em riste, subindo e descendo, cantando: “Ala-lá-ô ô ô ô ô ô ô , mas que calor ô ô ô ô ô ô…â€. Dona Clotilde de olhos esbugalhadamente abertos e boca idem não conseguiu pronunciar palavra. Seu Alaor ao vê-la parou a cantoria, voltou à cara séria de costume e, em tom rÃspido, perguntou: “Posso saber o que a senhora está fazendo aqui assim, fantasiada?â€
Como? – foi só o que conseguiu dizer a, mais atônita ainda, Clotilde.
Por acaso a senhora pensa que ainda é carnaval? Trate de se recompor imediatamente!
E entrou em sua sala, dançando e cantando, mas agora com passos firmes e cara fechada. Bateu a porta com força.
Durante cinco minutos lá ficou a dona Clotilde sentada e muda, de olhos e bocas como eu já disse que estavam, até que chegou o acessor para todos os assuntos externos (boy) e lhe tira do transe. Outro susto. O referido garoto está vestido de pirata, de tapa-olho, espada e tudo.
- Menino! Como é que você vem aqui assim?!? – quase caiu da cadeira.
- Assim como Cloclô? – ela não gosta dessas intimidades, e ele sabe disso – A senhora é que está com uma roupa esquisita, está fantasiada é?
- Como EU fantasiada?, você é que está!
- Hiii… endoidou… – pegou uma pilha de documentos que tinha que entregar e foi para a rua.
Mais uma vez a cena da dona Cloclô, ops!, desculpem, dona Clotilde estatelada na cadeira.
Cinco minutos para as duas horas entra no escritório um grupo de homens vestidos de mulher. Seis ao todo. Entram cantando “Jingle bells, jingle bells, acabou o papel…†– não é música de carnaval, mas eles estão bêbados mesmo! – Dona Clotilde reconhece os acionistas que participarão da reunião.
- Temos uma reunião com o Dr. Alaor, por favor.
A essas alturas já não se surpreendeu tanto, mas continuou de olhos e bocas esbugalhadamente abertos.
- Sim senhor, ele os está aguardando, podem entrar.
- Que roupa estranha a sua, hein?!? – disse um deles antes de entrar.
Ela não agüentou. Deixou um bilhete em cima da mesa dizendo que estava passando mal e foi para casa. No caminho percebeu que todos, sem exceção, estavam fantasiados. Muitos estavam bêbados, jogavam confetes e serpentinas. Havia palhaços, odaliscas, reis e muitos outros. Estavam trabalhando normalmente, a não ser pelo fato de estarem fantasiados, bêbados e cantando marchinhas de carnaval. Camelôs, lojistas, motoristas de táxis e ônibus, até os guardas, todos estavam assim. “O que será que houve neste carnaval, alguma droga nova?â€, pensou.
Chegando em casa tentou dormir para ver se acordava do sonho. Não conseguiu. Se olhou no espelho. Começou a achar-se esquisita, feia, sem graça. Abriu o armário. Achou todas as suas roupas muito estranhas. Foi até a penteadeira, desarrumou todo o cabelo, fez um penteado bem “tchan!â€, pintou-se toda bem “cheguei!’, foi até o armário da filha, pegou roupas que ficaram bem justas, com as pernas e barriga de fora, pegou uma bolsinha, abriu a porta de casa e saiu, rodando a bolsinha, fantasiada de prostituta e cantando: “…mas que calor ô ô ô ô ô ô…â€
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Por Declev Dib-Ferreira em 16/10/2007
O povo andava triste. Estavam todos cabisbaixos, de rostos cansados, sem ânimo. O rei andava preocupado. Queria seu povo feliz, ele precisava disso, pois assim seria mais fácil manipulá-lo. Poderia aumentar impostos, criar alguns novos, viajar a vontade, roubar, fazer leis absurdas e outras coisas deste tipo. Precisava deixar o povo feliz apesar de todos os absurdos que ele o faz sofrer.
Como parecia uma missão quase impossÃvel, o rei contratou os melhores especialistas em diversas áreas de todo o mundo: psicólogos, músicos, artistas, animadores de festas, humoristas, bobos da corte, filósofos, entre outros.
O rei ordenou que ficassem reunidos o tempo que fosse necessário para realizar o trabalho. Então esses profissionais ficaram discutindo durante horas e horas, dias e dias, semanas… Após vários meses de reuniões ininterruptas dentro do castelo, eles estavam cansados e abatidos como o povo do reino. Decidiram então, que deveriam descansar e se divertir um pouco. Pediram ao rei comidas e bebidas a vontade, dizendo que esta festa seria indispensável à continuação do trabalho. O rei atendeu. Comeram e beberam até ficarem tão embriagados que começaram a cantar e pular e agarrarem-se. Resolveram fazer uma brincadeira: todos iriam trocar de roupas uns com os outros. Sentiram-se tão alegres que dançaram e cantaram o mais que podiam. Do lado de fora da sala, o rei nada entendia, ouvindo toda aquela cantoria.
No dia seguinte estavam exaustos, jogados pelo chão, de caras amarrotadas e com a maior ressaca de suas vidas. Mas estavam felizes como nunca. Foi aà que ocorreu-lhes um estalo: a resposta estava aÃ! O rei deveria organizar uma festa, regada à muita bebida, muita música e muita dança, onde todos trocariam de roupas com todos. O rei adorou a idéia.
Assim instituiu o carnaval.
E assim alcançou seu objetivo.
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Por Declev Dib-Ferreira em 16/10/2007
Depois que passa nós rimos. Na hora é que é a coisa. Provavelmente são as histórias de vexame e aperto (aperto empregado aqui em termos gerais) mais engraçadas de se ouvir, mas as mais desagradáveis de se passar. Eu já passei por isso, quer dizer, já fui várias vezes até o aperto, mas nunca cheguei às conseqüências do vexame.
Para quem nunca passou por isso, vou tentar colocar em palavras que sensação é essa que quem já sentiu, garante que é uma das mais desagradáveis. Primeiro você sente aquela pontadinha no estômago e pensa “ah, não há de ser nada, só um punzinho, já vai passarâ€. (Ah, está rindo é?, pois saiba que é isso mesmo!). Aà você solta unszinhos bem devagar para não fazer barulho que você não é besta, sai do lugar disfarçadamente para o pessoal não desconfiar que foi você, faz cara de sonso e ainda abana o nariz fazendo cara feia para mostrar para todo mundo que você também não gostou de terem feito aquilo. “Como pode? É muita cara de pau!â€, ainda diz.
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Por Declev Dib-Ferreira em 16/10/2007
Ela vivia triste. Aquele complexo a deixava extremamente infeliz. Vivia pelos cantos, sem dar um sorriso, de cabeça baixa, olhando para o chão, um olhar quase sempre de tristeza.
Era uma menina bonita, com seus catorze anos, esbelta, cabelos compridos e cacheados, olhos vivos e brilhantes. Mas os amiguinhos da escola não a deixavam em paz um minuto, por causa do seu pequeno defeito e, como nós sabemos, criança neste ponto é cruel. No recreio não brincava com ninguém, todo mundo tinha vergonha de andar com ela; não queriam dizer que eram amiguinhas de uma pessoa tão diferente. As professoras tentavam ajudar, conversando com os coleguinhas, mas não tinha jeito. Em casa também não tinha sossego. Os irmãos não perdoavam – irmãos também sabem ser cruéis. Os pais a consolavam, mas lá ia ela chorando para o quarto, desabafar agarrada aos seus bichinhos de pelúcia. Ela já estava cansada de sofrer por causa desses preconceitos. Não queria ser diferente, não pediu para ser assim. Certo dia, chorando, foi pedir à mãe que pelamordedeus a levasse ao dentista. Tinha que dar um jeito naquilo. A mãe tentou tirar de sua cabecinha: “Filhinha, Deus quis assim, você é linda assim e nós te amamos do jeito que você é…â€. Mas não teve jeito, ela estava decidida; não queria mais ser tão diferente de todo mundo. Não aquentava mais passar vergonha e ser humilhada pelo seu defeito.
Foram ao dentista. O doutor fez – e com prazer, por saber como a menina devia sofrer sendo daquele jeito -, tudo o que ela lhe pediu. Arrancou uns cinco dentes da sua dentição perfeita – de dentes brancos como lençóis brancos lavados pelo sabão em pó que lava mais branco, sem nenhuma cárie, nem tártaro, manchas ou coisas assim. Arrancou um da frente e os outros dos lados. Fez alguns buracos nos que restaram – de leve, só para não ficarem tão perfeitos. Passou uma substância para escurecê-los e pronto! Agora sim! Em uma terra onde todos têm dentições podres, não seria ela a única com uma dentição perfeita.
Não iria mais passar vergonha. No dia seguinte entrou na escola rindo de orelha a orelha.
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