O Carnaval

Por Declev Dib-Ferreira em 16/10/2007

O CARNAVAL

Declev Reynier

Dona Clotilde j谩 est谩 no escrit贸rio do Dr. Alaor. 脡 uma hora da tarde de quarta-feira de cinzas. Veio cedo porque sabe que o patr茫o 茅 criterioso nos hor谩rios e haver谩 uma reuni茫o 脿s duas horas. Para ela n茫o houve problema de estar l谩 em plena quarta-feira de cinzas t茫o cedo; n茫o gosta de carnaval, havia ido com mais algumas amigas da igreja para um retiro no s铆tio do pastor.

Seu Alaor chegou logo depois. 脌s 13h e 30 minutos adentra ele o escrit贸rio com uma roupa de 谩rabe, a maleta em uma m茫o e a outra com o dedo em riste, subindo e descendo, cantando: 鈥淎la-l谩-么 么 么 么 么 么 么 , mas que calor 么 么 么 么 么 么…鈥. Dona Clotilde de olhos esbugalhadamente abertos e boca idem n茫o conseguiu pronunciar palavra. Seu Alaor ao v锚-la parou a cantoria, voltou 脿 cara s茅ria de costume e, em tom r铆spido, perguntou: 鈥淧osso saber o que a senhora est谩 fazendo aqui assim, fantasiada?鈥

Como? – foi s贸 o que conseguiu dizer a, mais at么nita ainda, Clotilde.

Por acaso a senhora pensa que ainda 茅 carnaval? Trate de se recompor imediatamente!
E entrou em sua sala, dan莽ando e cantando, mas agora com passos firmes e cara fechada. Bateu a porta com for莽a.

Durante cinco minutos l谩 ficou a dona Clotilde sentada e muda, de olhos e bocas como eu j谩 disse que estavam, at茅 que chegou o acessor para todos os assuntos externos (boy) e lhe tira do transe. Outro susto. O referido garoto est谩 vestido de pirata, de tapa-olho, espada e tudo.

- Menino! Como 茅 que voc锚 vem aqui assim?!? – quase caiu da cadeira.

- Assim como Clocl么? – ela n茫o gosta dessas intimidades, e ele sabe disso – A senhora 茅 que est谩 com uma roupa esquisita, est谩 fantasiada 茅?

- Como EU fantasiada?, voc锚 茅 que est谩!

- Hiii… endoidou… – pegou uma pilha de documentos que tinha que entregar e foi para a rua.

Mais uma vez a cena da dona Clocl么, ops!, desculpem, dona Clotilde estatelada na cadeira.
Cinco minutos para as duas horas entra no escrit贸rio um grupo de homens vestidos de mulher. Seis ao todo. Entram cantando 鈥淛ingle bells, jingle bells, acabou o papel…鈥 – n茫o 茅 m煤sica de carnaval, mas eles est茫o b锚bados mesmo! – Dona Clotilde reconhece os acionistas que participar茫o da reuni茫o.

- Temos uma reuni茫o com o Dr. Alaor, por favor.

A essas alturas j谩 n茫o se surpreendeu tanto, mas continuou de olhos e bocas esbugalhadamente abertos.

- Sim senhor, ele os est谩 aguardando, podem entrar.

- Que roupa estranha a sua, hein?!? – disse um deles antes de entrar.

Ela n茫o ag眉entou. Deixou um bilhete em cima da mesa dizendo que estava passando mal e foi para casa. No caminho percebeu que todos, sem exce莽茫o, estavam fantasiados. Muitos estavam b锚bados, jogavam confetes e serpentinas. Havia palha莽os, odaliscas, reis e muitos outros. Estavam trabalhando normalmente, a n茫o ser pelo fato de estarem fantasiados, b锚bados e cantando marchinhas de carnaval. Camel么s, lojistas, motoristas de t谩xis e 么nibus, at茅 os guardas, todos estavam assim. 鈥淥 que ser谩 que houve neste carnaval, alguma droga nova?鈥, pensou.

Chegando em casa tentou dormir para ver se acordava do sonho. N茫o conseguiu. Se olhou no espelho. Come莽ou a achar-se esquisita, feia, sem gra莽a. Abriu o arm谩rio. Achou todas as suas roupas muito estranhas. Foi at茅 a penteadeira, desarrumou todo o cabelo, fez um penteado bem 鈥渢chan!鈥, pintou-se toda bem 鈥渃heguei!鈥, foi at茅 o arm谩rio da filha, pegou roupas que ficaram bem justas, com as pernas e barriga de fora, pegou uma bolsinha, abriu a porta de casa e saiu, rodando a bolsinha, fantasiada de prostituta e cantando: 鈥…mas que calor 么 么 么 么 么 么…鈥

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