Quente chama

Declev Reynier

Quem te chamou
Quem te chama
Quente chama


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DIÁLOGO

Declev Reynier

Ele: – Estou te achando muito triste…
Eu: – É?
– Peraí!
– O quê?!
– Você…
– Eu…?
– Você É triste!!!
– Ah…, não conte para ninguém.
– Você é triste mesmo?
– Acho que sou…
– Mas de onde vem tanta tristeza?
– De dentro, eu não sei.
– Do coração?
– Talvez sim, talvez não.
– Da mente?
– Não sei, por mais que tente.
– Posso olhar dentro pra saber?
– Vamos, experimente!
– Feche os olhos
– Sim?!?
– Abra a boca
– Ahhh…
– Está escuro…
– Pegue uma  lanterna
– Ué, está vazio (zio, io, io…) !?!
– Olhe lá em cima.
– Ei, está tudo bagunçado!!!
– É ?!?
– É. Pode fechar a boca.
– Ufa! E agora, que que eu faço?
– Tem que arrumar toda essa bagunça.
– Só?
– Depois encher tudo.
– Com o quê?
– Aí é com você!
– Pode me ajudar?
– Tem que achar o que você quer;
– E…?
– Tem que saber o que você precisa;
– E…?
– Tem que saber do que você sente falta;
– E…?
– Coloque tudo isso no coração, que ele faz o trabalho de bombear para o corpo todo.
– Como posso lhe agradecer?
– Não precisa, só não gosto de ver ninguém sofrer.
– Obrigado amigo…
– Não há de quê.


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OS PERIGOS QUE PASSO

Declev Reynier

Esta vida é realmente perigosa. Quando paro para pensar os perigos que já passei e que passo todos os dias, me tremo todo. Fico com medo até de sair de casa, de pôr os pés na rua.

Imaginem vocês que eu saio de casa todos os dias. É quase um absurdo. Saio de casa todos os dias! Olha o risco que corro! Posso ser atropelado, assaltado, raptado, escarafunchado, picado por uma abelha, “etc…ado”. Posso até pisar num cocô!

Sempre que saio de casa atravesso ruas. E se eu me distrair, tropeçar ou qualquer coisa assim? E se eu escorregar? E se cair um monte de moedinhas no meio do trajeto de uma calçada a outra e eu, no ímpeto de catá-las, me agachar à frente de um ônibus ou caminhão em alta velocidade (como aliás, eles sempre andam)? Ou, e se neste mesmo trajeto, vier um ciclista descuidado na contramão e me acertar em cheio, como acertaram a minha vozinha de 74 anos há pouco tempo? (ela já está bem, obrigado!). [Nota: crônica antiga. Minha vó já faleceu há anos]. E se um dos motoristas daltônicos (85 a 90% ao todo), que não enxergam direito quando um sinal está vermelho ou verde, furar um sinal vermelho e me atropelar? E se… UFA!… atravessar ruas não é nada fácil!

Agora pasmem: eu, quase sempre, pego ônibus! Eu pego ônibus!!! Só de imaginar, eu, em pé em uma parada de ônibus, com aquele solzão na cabeça, correndo o risco de tomar banho de água suja (porque, se você já pegou ônibus em sua vida, sabe que, tenha o sol que tiver, há uma poça d’água em frente à parada), respirando todos os gases tóxicos que os veículos jogam em cima da gente – o que pode resultar em um câncer de pulmão, entre outras doenças – já começo a tossir desenfreadamente… (pausa para tosse). E o risco que corro de tomar um tombo ao subir nos ônibus? Aliás, um enorme tombo. Porque volta e meia os motoristas  não  param  para você entrar, principalmente se você é homem, jovem e estiver sozinho na parada. Aí é fatal. Você tem que se agarrar com todas as forças na barra e se impulsionar para dentro do ônibus em movimento. Que risco! Foi numa dessas que quase levei um tombo espetacular, e, depois de quase me estatelar no asfalto o motorista, creio que ficou com a consciência pesada, parou para eu entrar.

Entrar nos ônibus já daria uma epopeia, mas lá dentro as coisas não melhoram. Corro o risco de ser assaltado (o que já o fui algumas vezes), e o risco de algum acidente, visto que os motoristas são “educadíssimos” e dirigem como se estivessem em uma máquina de vídeo-game (com raras exceções).

Falando na educação dos motoristas e trocadores, qualquer usuário deste tipo de transporte de massa sabe que corre o risco de ser maltratado, xingado, cuspido e agredido por estes trabalhadores – também com suas exceções e talvez devido ao stress a que são acometidos no trânsito.

Você pode dizer: “Ah, vá de táxi”, mas você já parou para pensar no perigo de se tomar um táxi? E se o taxista for um assaltante? E se for um barbeiro? E se ele leva seus passageiros para cantos escuros e os assalta? e se os… estupra?!?  ARGH!!!

Pensa que tudo pode ser resolvido se você tiver um carro? E todos os acidentes que acontecem todos os dias? E as dezenas, centenas de pessoas que ficam espremidas entre os destroços do que outrora fora seus carros? Eu passo por este risco acidental quase todos os dias.

Você já andou pelos loucos trânsitos das grandes cidades dentro de um fusquinha [tá, essa crônica é antiga!] com mais umas três ou quatro pessoas? Uau! É como uma lata de sardinha na despensa no meio de latas de leite em pó das grandes quando cai a prateleira. Com a diferença que não são sardinhas, são pessoas que estão na “lata”. Já está me dando um ataque de claustrofobia.

E por falar em claustrofobia, vocês não vão nem acreditar nos riscos  que  eu  corro  de  vez   em  quando,  quando  vou  a  um  edifício: primeiro:  eu pego elevador, com todos os riscos que isso pode acarretar, como ficar com a perna presa na porta, acabar a eletricidade e o elevador parar e eu morrer sufocado por falta de ar, ou até a queda do aparelho. Queda sim, porque elevador pode ser muito seguro, mas conheço umas histórias de quedas. Ainda acho que me arrisco muito. E quando estou lá em cima no prédio, o risco de incêndio? O risco de desabamento, o risco de atentado? Há casos e mais casos de todos estes casos. [Escrito ANTES de 11/09/11]

Sei que a estas alturas você deve estar com um início de depressão e pavor de sair às ruas, mas falando em altura há um risco que toda pessoa que viaja grandes distâncias (como eu de vez em quando) é quase que obrigado a correr: o risco de estabacar lá de cima com avião e tudo. É como uma roleta russa. Você entra no avião e sabe-se lá de que jeito você vai descer. Que vai descer vai! Tenho certeza que você não vai à cabine do piloto para ver se há piloto ou se o piloto têm o brevê.

Depois alguém pergunta para você: “Fez boa viajem?” e você responde: “Claro!”. Você diz  “claro” porque sabe que só há dois tipos de viagens de avião: as boas (nas quais você desce vivo) e as ruins (nas quais você já imagina). E sempre tem algum engraçadinho lá em cima quando o avião está passando por uma grande turbulência e tremendo como liquidificador. Você todo nervoso e ele fazendo piadinhas:

__ Este avião é seu?

__ Não!

__ Você tem ações desta companhia?

__ Não!

__ Então está preocupado com o quê? Deixa esta merda cair!

__ Rá… rá… rá…

É, a vida não está fácil. Quanto mais máquinas inventam, mais perigo corro. Mas o meu grande medo, que, sinto dizer, todos vocês também correm,  é estar calmamente andando pela rua e cruzar com um…, com um…, político! – Cruz-Credo, isola na madeira, pé-de-pato, mangalô três vezes!!! – Melhor nem pensar nisso!

Com as suas raras exceções, é claro!


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AGRADECIMENTO

Declev Reynier

Poucas pessoas têm a oportunidade
De estarem aqui, como eu
Observando o firmamento, as estrelas
E uma chuva de meteoros
Às quatro e meia da madrugada
De um dia de semana.

Muito obrigado meu Deus
Por estas estrelas,
Por este espetáculo de meteoros;
Por esta vida.

Porque sentimos tanto medo?
Porque as pessoas não podem ser boas?
Porque não são felizes?

Haverá o dia em que as pessoas mudarão,
Mudando de figura esta terra que habitamos.
As pessoas serão boas
Haverá fraternidade, bondade, compaixão,
Beleza, natureza, igualdade.

Não haverá a quem fazer caridade
Pois todos serão iguais.

Não haverá medo.

Até esse medo da morte vai acabar.
Pois esta será bem compreendida
Haverá a compreensão desta passagem
De uma dimensão à outra
E vice-versa.

A comunicação com os “mortos”
Será fácil
Será corriqueira.

A morte não será mais, para as pessoas,
Um aniquilamento da vida
– Desta mesma vida que nós nos fazemos sofrer,
Mas que temos medo que acabe –

As famílias serão unidas
E felizes.
Os amigos não trairão.
O dinheiro não exercerá
O deslumbramento que exerce.

Haverá o dia
Em que tudo isso acontecerá
Aqui na terra.

E eu estarei aqui para ver.


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COM / SEM

Declev Reynier

Será que se pode combater
Sem bater em ninguém?

Só sei que não vou conseguir
Sem seguir adiante;

Ter um contato
Sem tato usar;

Não passarei no concurso
Sem curso fazer;

Não ficarei contente
Sem tentar;

E não ganharei confeito
Sem feito nenhum.


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INSPIRAÇÃO

Declev Reynier 

Inspire
Inspiração
Para fazer poesias
Use como guia
A inspiração;
Expire
Experimente
Vê como se sente
Nunca diga não;
Mania de querer
Além do que foi dado
Corra atrás então!
Nunca diga não;
Inspire
Inspiração
Use no trabalho
Conquistar espaço
Com as próprias mãos;
Expire
Bote para fora
O que você tem dentro
Nunca diga não;
Inspire
Expire
Viva,
E nunca diga não!


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INSPIRAÇÃO

Declev Reynier 

Inspire
Inspiração
Para fazer poesias
Use como guia
A inspiração;
Expire
Experimente
Vê como se sente
Nunca diga não;
Mania de querer
Além do que foi dado
Corra atrás então!
Nunca diga não;
Inspire
Inspiração
Use no trabalho
Conquistar espaço
Com as próprias mãos;
Expire
Bote para fora
O que você tem dentro
Nunca diga não;
Inspire
Expire
Viva,
E nunca diga não!


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ÁRVORE DE ARTE

Declev Reynier

Obra de arte;
Tu és obra de arte.

De um lado a mata,
Do outro o rio que é um mar
No meio a areia branca…

E você.

Caída,
Apoiada em teus próprios galhos
Atitude de quem quer viver,
Ou sobreviver.

Não importa se estás morta
Tua beleza é essa
Obra de arte
Nas areias do Tupé
Esta árvore apenas o é…

Obra de arte.

Ao vento
No relento
Sem tua proteção de folhas,
Apenas o teu corpo de madeira
Conservando a tua energia.

Cadê tua alma?
Será que estás reencarnada
Em alguma plântula?

Obra de arte
Devias ser um trono
Aliás, és um trono
Onde os espíritos da natureza
Se sentam e se sentem reis
Onde se observa a vida em volta
E mais coisas que eu não sei.

Obra de arte
Tu és
Obra de arte
E acho que já sabes.

Te nomeio Rainha do Tupé
O rio cheio te lava os galhos
A floresta limpa teus pés
A areia branca adora ser pisada por ti
E as pessoas…

Essas, como eu, quando te vi
Numa atitude de respeito e soberania
Passam apenas por baixo de ti
Pois tu és um trono
De beleza
E natureza
E trono só para quem rei é

Magnífica
Árvore de arte do Tupé.


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ANTI-RECEITA

Declev Reynier

Pega-se um pouquinho de ferro derretido
Coloca-se em algumas forminhas,
Faz-se as peças.

Encaixa-se e fixa-se uma pecinha na outra,
Dá-se uma lustradinha,
Tem-se uma arma.

Pega-se um tubinho de metal
Coloca-se pólvora dentro
Fecha-se com uma pontinha de chumbo,
Tem-se uma bala.

Enfia-se a bala na arma
Puxa-se o gatilho,
Foi-se uma vida.


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VIDA OCA

 Declev Reynier

Resolvi me perguntar
Para onde estava indo
Descobri apavorado,
Transtornado
Que eu não estava indo,
Estava parado

Fiquei surpreso
Eu estava preso
Estava preso a minha própria vida
Que estava indo ao sabor do vento
E eu não indo

Pensei: para onde quero ir?
Eu não sei,
Só sei que quero ir,

Crescer, caminhar

Me perguntei:
Para onde você quer ir?

Infelizmente respondi: eu não sei
Eu não sei,
Nem eu mesmo sei!

Metas, quero metas
Minha vida está parada
Mas eu caminhando – em círculos

E quem caminha em círculos fica tonto
Como um mosquito que leva um tapa
Ou quando se joga inseticida em uma barata

Nós acabamos caindo,
Apodrecendo,
Envelhecendo no pior sentido da palavra

Minha vida está parada
E vida é como água
Se ficarmos parados apodrecemos
Nossa mente se polui
E bichos aproveitam
Para tirar proveito
Para colocarem seus ovos
Que gerarão larvas
Que novos bichos virarão;

Bichos que corroem
Bichos que corroem e nos ocam

E como um saco vazio,
Não conseguimos nem nos manter em pé.


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